Aumento Salarial

Por : Julio Cardoso

Recentemente, o presidente da República, do alto de sua esperteza política fanfarronesca, para fazer média com os trabalhadores, recomendou que a hora para reivindicar aumentos salariais é quando as empresas estão ganhando dinheiro.

Talvez os lampejos de euforia de seu governo pelo bom momento que atravessa a economia nacional tenham levado o presidente a ter uma recaída das épocas de sindicalista, em que ele costumava bravatear os empresários a conceder reajustes salariais.
Por outro lado, não deixa de ser também uma lembrança aos empresários de não se esquecer de repartir um pouco com os seus empregados os lucros obtidos. Mas o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, que ganha "muito pouco" dos cofres públicos, parece que não entendeu bem a mensagem dirigida aos trabalhadores do setor privado e foi bater às portas do Senado Federal, levando em mãos um pedido de aumento para os servidores do Judiciário. Nada contra a defesa de sua patota.
O revoltante é ver a predisposição do ministro Gilmar Mendes em querer fazer justiça salarial à sua privilegiada casta trabalhista! E os demais mortais trabalhadores como ficam? Quem os defende?
Quando se espera do Judiciário a defesa intransigente da aplicação de índice uniforme de reajuste salarial para todos os segmentos públicos e com vigência na mesma data, isso não acontece. Mas o presidente da alta Corte, de forma surpreendente, mostra a força que tem a corporação pública que representa - e, diga-se de passagem, muito bem remunerada -, e toma, sem nenhum constrangimento, a decisão de ir pessoalmente levar ao Congresso pedido de aumento salarial de sua categoria.
Para defender os seus interesses, o Judiciário é pródigo, habilidoso e leal. Mas para dar atenção às injustiças salariais cometidas contra as demais categorias, o órgão não move um dedo sequer para o equilíbrio da balança. É assim que funciona, infelizmente, o nosso "imparcial' Judiciário".
Privilegiado com altos salários - um ministro do STF ganha a exorbitância pública de R$ 24,5 mil, um verdadeiro escárnio a um País de milhões de miseráveis e desempregados cidadãos -, o nosso Judiciário está longe de ser um órgão preocupado com a aplicação lato senso de justiça.

Julio César Cardoso - juliocmcardoso@hotmail.com
Bacharel em Direito e servidor federal aposentado
CI 394.437
Tel.47-33634184
Balnério Camboriú-SC

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