IL CAPO HA SEMPRE RAGIONE

Maria Lucia Victor Barbosa

Com quais valores se pode educar atualmente uma criança? É dever ensinar aos filhos: sejam honestos, estudem, não mintam, tenham brio, sejam respeitosos?

Em tempos idos isso funcionava. Famílias geravam cidadãos capazes de distinguir entre o certo e o errado, de repudiar o que funcionasse mal. A escola mais que ensinar o alfabeto inculcava desde cedo no indivíduo noções de sociabilidade que incluíam o sentido de pátria. Mesmo a classe política tinha, pelo menos, mais compostura.

Naturalmente sempre houve desonestidade, malandragem, mentira, descaramento, mas a parcela do Brasil que pensava, estudava, trabalhava se distinguia a ponto de dar exemplo. E se costumava dizer que o exemplo vinha de cima, dos pais e das autoridades. Tudo isso ficou para trás.

Certamente o Brasil evoluiu acompanhando a escalada do desenvolvimento mundial, em que pese manter contrastes regionais e disparidades de classe. Entretanto, sofreu brutal involução em termos de valores. Com relação especialmente à classe política, com as honrosas exceções que por ventura existam se pode dizer que o Brasil acanalhou legando como exemplo às futuras gerações mentira, desonestidade, descaramento, falsidade, corrupção.

Dirão os defensores dos crimes e dos erros que se presencia, que foi sempre assim desde que Cabral pisou a Ilha de Vera Cruz. Sem duvida tivemos , para usar uma expressão de José Ortega y Gasset , uma “embriogenia defeituosa”. Toco no assu nto longamente em dois de meus livros. Num curto artigo isso é impossível.

Sobre a sociedade seria necessária outra longa análise que avaliasse as transformações mundiais nas quais o Brasil está inserido, tanto para o bem quanto para o mal. Internamente teríamos que pesquisar as mudanças pelas quais passaram a família, a escola, a religião , enfim, nossos mecanismos de controle social. Deixemos isso, talvez, para outro livro e nos fixemos, ainda que rapidamente, no governo:

Em termos governamentais vivemos um paradoxo, pois chegou ao poder o partido que se dizia o único ético, ideológico, dono da verdade. Na quarta eleição presidencial o PT conseguiu colocar no cargo mais alto da República a figura cuidadosamente, longamente trabalhada pelo marketing de um homem de origem humilde. A criatura petista, se relembrada por sua veemente oratória de esquerda simbolizava a redenção do país que, inclusive, seria libertado dos políticos corruptos. Lula e seu partido imaculado nos libertariam dos “300 picaretas”, do Sar ney “ladrão”. Nunca mais seriamos conspurcados por caçadores de marajás, por oligarquias indecentes que no poder se locupletam descaradamente.

Mas eis o paradoxo: no poder o PT, que dizia ter o monopólio da ética, se tornou pior que os demais partidos, muito mais imoral, despudoradamente amoral, de um cinismo abjeto quando trata com a mesma naturalidade com que outrora defendia bandeiras de moralidade, suas falcatruas, “ mensalões ”, dossiês, caixas dois e todos os imorais da República aos quais se associaram.

Seus figurões, como José Dirceu, Antonio Palocci, Gushiken e tantos outros, assim como ministros companheiros ou agregados de outros partidos foram caindo um a um por grossa corrupção. Mas, o que se vê são petistas sempre voltando ao poder porque são cidadãos acima de qualquer suspeita, indivíduos para os quais a lei não funciona, pessoas incomuns eleitas por pessoas comuns que dizem: “se eu estivesse lá faria a mesma coisa”.

Vemos, por exemplo, José Dirceu, a todo vapor na campanha de Dilma Rousseff , a ungida de Lula da Silva, aquela que desfeiteia em público com impropérios os que ousam desobedecê-la. O ex-ministro da Casa Civil, deputado cassado, “chefe da quadrilha ”, transita com desenvoltura pelo mundo da riqueza que, por sinal, gosta dos lucros que lhe trazem o “pobre operário” e seu partido ex-ético. Dirceu continua a mandar. Faz parte da alta hierarquia mafiosa da República dos pelegos. E Lula, poderoso capo que comanda os três Poderes, ordena ao Senado a permanência de Sarney, não importando o uso e o abuso da coisa pública que vem fazendo indecentemente o oligarca do Maranhão. Afinal, interessa o apoio do PMDB a Dilma Rousseff . É preciso impedir a temida CPI da Petrobras. A ética que se lixe,

Aliás, Lula da Silva tem se aliado também à escória mundial. Terroristas e déspotas dos mais asquerosos são por ele louvados como seus amigos, seus líderes, seus ídolos. Na América Latina está irmanado ao tirano Fidel Castro, ao ditador Hugo Chávez e seus asseclas. Agora Lula diz que o G8 não tem mais expressão. Sonhará ele com outra ordem mundial? Nessa nova ordem é preciso esmagar a pequena Honduras em nome de alegado golpe que não passou de defesa constituição do país contra a ingerência de Hugo Chávez, ditador de fato da Venezuela. Mas o tirano Ahmadinejad com sua eleição fraudada no Irã tem todo apoio de Lula da Silva e do PT.

E que não se diga que é preconceito externar essas verdades. Origem pobre nunca quis dizer mau-caratismo ou safadeza. O rico presidente da República, criatura fabricada por seu desmoralizado partido, tornou-se o capo da máfia governamental. Resultado: no Brasil degradado em República dos Bananas , Il capo ha sempre ragione . Tristes trópicos!

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga

mlucia@sercomtel.com.br

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