FARC: E Chávez Estava com a Razão!

Por :Raymundo Araujo Filho

Há pouco tempo foram estampadas nas manchetes de Política Internacional e nas agenda de comentaristas políticos, de todos os matizes e veículos midiáticos e internéticos, as palavras que o presidente da Venezuela Hugo Chávez dirigiu aos membros e dirigentes das FARCs, guerrilheiros da Colômbia, recentemente.

Dizia o presidente Chávez que aquela forma de luta não era adequada para o momento, afinal os processos de normalização democrática e manifestação da população, através de eleições e liberdade de imprensa na Colômbia, estavam preservados. E é lógico que se referia aos preceitos da chamada democracia burguesa, e certamente ainda levando em consideração o viés militarista e repressor do governo Uribe. Mas dentro de algo que a população colombiana entende como conquista. E aceita.

Aliás, o Polo Democrático da Colômbia, acaba de emitir comunicado, com igual teor. Desta vez, postado aqui no lutabilvariana pelo JBLinder, sem críticas a esta tomada de posição, como fez com Chávez.

E as aprovações do presidente Uribe nas pesquisas de opinião não nos deixam margem de dúvida para entendermos até onde é que chega a formulação da sociedade colombiana. mesmo ainda considerando-se alguma manipulação de dados mas, ou mesmo alguma pressão aos eleitores, existentes de certo, mas sem que seja de grande monta. Na Colômbia há em funcionamento Institutos que aufeririam esta manipulação, caso decisiva fosse. A sociedade colombina tem bastante mais instrumentos que a do Zimbábue, em relação ao Mugabe. As vitórias do sistema judiciário contra Uribe, tem nos mostrado esta sirtuação.

O presidente venezuelano Hugo Chávez não é um leviano qualquer. Lidera politicamente na América Latina e Caribe no combate ao Imperialismo dos EUA, absorve e se compromete com uma visão socialista do mundo, executa a distribuição de renda e defesa das riquezas venezuelanas para os venezuelanos, isto é, alinha-se aos preceitos da esquerda mundial, de forma inequívoca. Se suficiente ou não, é outra história. Afinal, quem o é?

Depois, em nenhum momento, o presidente Hugo Chávez contestou a justeza dos motivos da luta das FARCs. Ao contrário, deu mostras de solidariedade, até onde pode, ou até mais, do ponto de vista dos limites institucionais de seu cargo. Assim como fez o presidente do Equador, Rafael Correa seguindo o Chávez na declaração, logo depois.

Portanto concluo que foi uma fala de um aliado dos movimentos dos trabalhadores e da luta contra o Capital, a favor dos trabalhadores e pobres do mundo, como vem se situando o presidente Chávez, com seus erros e acertos.

Aqui não está em jogo nenhuma análise mais elaborada, nem juízo de valor o quão bem (ou mal) o presidente Chávez está conseguindo levar a sua empreitada adiante. Sabe-se apenas que a Venezuela atinge índices de desenvolvimento pessoal e passa a fazer parte do cenário mundial de forma íntegra e não vassala dos interesses internacionais. E, depois de Chávez, ao menos, todos querem se dizer venezuelanos - como disse para mim um rapaz venezuelano de 20 anos, universitário das particulares em férias, no avião de volta de minha viagem por lá.

De minha parte, creio que há uma possibilidade de Chávez haver tentado enviar uma mensagem cifrada as FARCs, talvez sabedor desta movimentação de espionagem para resgate dos reféns, Ingrid Betancourt, entre outros de alto coturno. Sabedor através de informes nebulosos e imprecisos. E não informações precisas.

Também deve ter pesado nas falas de Chávez, uma conclusão que outros partidos de esquerda têm, que vanguardiar a Luta Armada, sem conseguir (ou querer) trazer as massas populares para o lado da guerrilha, é uma luta inglória, sem objetivos práticos senão a auto sobrevivência da organização guerrilheira.

Mesmo entendendo que os processos políticos eleitorais em países como a Colômbia, México e Brasil já estejam completamente seqüestrados por interesses “de fora', os exemplos da Venezuela, Equador, Nicarágua, Bolívia, nos mostram que por lá ainda é possivel algum avanço.

Na Colômbia, além do seqüestro da via eleitoral, e mesmo entendendo a firme tradição dos grupos guerrilheiros armados no país, creio que houve uma perda do pé, na alta profundidade da política deste país.

A guerrilha não consegue avanços no campo popular, e radicaliza no campo militar, como resposta e oxigênio. Isso em um ciclo vicioso perverso de derrotas, mortes de líderes e mais seqüestros, totalmente impopulares, até porque não se atêm a alvos militares e governamentais, como seria mais educativo e politizado para a população.

Portanto, as falas do presidente Chávez, vieram em um momento de aviso e percepção que o caldo está entornando na Colômbia, com a consolidação do plano dos EUA de estabelecer este país como Israel é para o Oriente Médio. Uma ponte para seus interesses geopolíticos. Tenho a firme convicção que Chávez pode ter recebido informes (não informações qualificadas) sobre a operação em andamento. Além , de, como militar experimentado, perceber a fraqueza e isustentabilidade do processo das FARC.

Portanto, foram lamentáveis alguns posicionamentos de pessoas que se dizem bolivarianos, inclusive, a dizer que o presidente Chávez estaria desautorizado a novas manifestações sobre o processo colombiano, antes da autocrítica a esta fala. Como se Chávez fosse um Lulla qualquer.

Estes ataques a Chávez, ao meu ver careceram de análises políticas e se guiaram puramente por sentimentos, talvez justos ideologicamente, mas românticos em demasia, o que não é uma boa moderação nem para assuntos políticos, quanto mais para militares.

Creio que a operação que libertou a Ingrid Betancourt e mais 13 reféns de alto valor negocial apenas nos mostra a quantas anda a forma deletéria da mais importante organização guerrilheira da AL. Totalmente segmentada, com desníveis de comunicação quase que absolutos entre suas instâncias. Estão, já a algum bom tempo, na defensiva política, sem articularem-se com o movimento popular, ao contrário, criando preconceito contra eles, sob os olhos da população, também certamente aterrorizada por agentes políticos governamentais.

A história se faz de fatos, não de intenções.

Com esta política puramente auto mantenedora, através de seqüestros, as FARCs, no frigir dos ovos (muitos ovos), legaram à política da Colômbia, mais uma mártir políticamente conservadora, como mostrou ser a Ingrid Betancourt pelas suas palavras, logo após ao desmbarque, além dos sentimentos gerados nela pelo seu longo e cruento cativeiro, pelo jeito, nas mãos de uma espécie de lumpen politicus, como parece ser o guerrilheiro que chefiava a sua guarda.

•  Agradeço primeiramente a Deus, a Virgem, ao Exército Colombiano, ao presidente Uribe, à minha mãe e a todos que rezaram por mim.

Nenhuma menção para aqueles que a apoiaram sem ceder aos interesses dos EUA, nas suas organizações políticas de base e partidárias, resistentes ao plano imperialista dos EUA (grande precursor da tragédia colombiana). Ao presidente Chávez, enviou um comunicado o exortando para que ele RESPEITE o governo legítimo do presidente Uribe, como se Chávez tivesse invadido militarmente a Colômbia, e não o contrário, como fez Uribe com o Equador. Como se Chávez não tivesse reconhecido o processo político legal da Colômbia, como soberano. E sob críticas atrozes de seus pares da esquerda mundial.

Há neste momento na Colômbia, alguém mais confiável e confortável aos EUA do que Ingrid Betancourt?

O que vem aí é chumbo grosso!

•  Raymundo Araujo Filho é médico veterinário homeopata.

P.S. - Fico a vontade para escrever este artigo, pois o único comentário que fiz sobre este assunto (da declaração de Chávez) foi postado no CMI com o título Chávez vê longe!.

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