GDF : ARRUDA CONTRA O MAL OLHADO ...

Por : Pettersen Filho

Senhor e Dono Absoluto de uma das maiores biodiversidades do mundo, em flora e fauna, o Brasil vem se mostrando, desde os primeiros dias da sua Colonização Portuguesa, tão bem registrada na Carta de Pero Vaz Caminha, no entanto, ser também um verdadeiro mosaico, tamanha a diversidade do seu folclore e praticas políticas .

Assim é que, ao presenciarmos as cerca de cinqüenta gravações em vídeo de membros do GDF – Governo do Distrito Federal , cujo Chefe da Quadrinha é o próprio Governador José Roberto Arruda , ocultando em seus trajes íntimos, cuecas, nádegas e meias, vultosas quantias oriundas de extorsão e propina, mediante a concessão de obras e serviços públicos a empresários e apoiadores da campanha política de 2006, essa semana, surpresa, ou sentimento algum, de repulsa, sequer, ocorre-nos, posto que velha pratica republicana tupiniquim, cuja imoralidade, sistemática, recusam-se a ver nossos tribunais e homens públicos.

País tomado pelo misticismo e credo religioso, de diversos quilates e origens, cuja uma das vertentes mais dominantes é o Candomblé , e os seus ritos afro-originados, é justamente a “ folha da arruda” , que, a calhar, vem a ser o sobrenome do próprio Governador José Roberto Arruda , uma das plantas mais usadas no tal culto, destinada a retirar as zigue-ziras da vida e o mal olhado .

Funcionando, bem ao lado da “ folha de babosa ” e junto com o poderoso “ não-me-toque ”, como ervas, e plantas, destinadas a realizar o “ Passe ”, uma espécie congênere a “ Benção ” ou a “ Comunhão ”, no equivalente religioso, na liturgia católica apostólica romana, no caso do Governador do Distrito Federal, no entanto, tamanha a generosidade de imagens e fatos que evidenciam a nefasta corrupção em seu governo, parece-nos, ademais, com o pesar de que nos perdoem os mais crédulos, que não há “ Pai de Santo ” ou “ Encosto ” que se contraponham aos fatos, haja vista a indecência política contida nas imagens veiculadas, em cadeia nacional, pelas redes de televisão.

Formula e roteiro de um VT já rodado anteriormente no Brasil, em escala federal, quando o próprio Presidente da República, Luis Inácio da Silva , e o seu Partido Político, o PT , inspirados no Mensalão Mineiro do PSDB , criou o seu próprio esquema, o escândalo , dessa feita, tinge mortalmente o discurso límpido-moralista dos Democratas, e o seu exorcizado DEMO , muito embora, tal generalidade nos leve a constatação de que, quando o crime , a pratica, é coletiva , comum a todos, então, deixa de ser crime , funcionando tais “ escândalos ” como uma espécie de cova rasa , onde são enterrados tais processos, com direito a fatal “ Certidão Negativa ” ou “Salvo Conduto” aos envolvidos, impressionantemente, no Brasil, retirando, quando acontecem, a faca afiada da chantagem política de sobre os seus pescoços...

Pratica Republicana que gera, e é gerada, no processo político brasileiro, como ora posto, de regras casuísticas e tendenciosas, desde os primórdios da Colonização Portuguesa, o que não é exclusividade nacional, nem produto que conte com a chancela “ Made in Brasil ,” no entanto, a corrupção , como gravada em Brasília, atinge diretamente desembargadores e conselheiros do próprio Tribunal de Justiça de Brasília, e em caráter inédito, o próprio Tribunal de Contas do Distrito Federal, que é, enfim, o Órgão instituído para combater a própria corrupção nas contas publicas, que o deveria fazer, ao invés de cooptar-se.

Ética e virtude a parte, então, como se diz nos bons Terreiros de Macumba da Bahia::

“Sarava ! Desce uma dose pro Santo, que o Caboclo baixou...”

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