A TOGA E A FARDA...

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Por : Gustavo Bassini

 

Dia 1º de abril de 2014, completaremos (e se já passou, completamos) 50 anos do golpe militar de 1964. Sem sombra de dúvida, não há nada a se comemorar, exceto para os que acham que aquilo foi uma revolução. Começamos a respirar ares  de democracia nas Diretas Já e depois com a Constituição de 1988. Algum tempo depois viria o CNJ, uma das maiores conquistas da sociedade. Os juízes, em sua maioria, odiaram o CNJ e este ódio explícito e o maior e melhor selo de qualidade do órgão. Tentaram acabar com os poderes do CNJ em manobras jurídicas, mas felizmente não conseguiram. Esta frustração mesclada com angústia viria à tona. E veio.

 

O judiciário brasileiro, e um bom exemplo é uma fatia do judiciário capixaba, deu seu golpe. Iniciaram-se as ações de juízes e autoridades correlatas contra órgãos de imprensa livre, jornalistas sérios, advogados. E a contrário dos milicos, que se socorreram das empresas e da Globo para financiá-los e vendê-los, estes fizeram do DANO MORAL uma espécie de ação entre amigos nos juizados. Ação entre amigos é RIFA. Eles censuraram e ganharam dinheiro com isto. Os quadrilheiros da operação naufrágio ficariam com inveja do que acontece hoje. Eles faturam a granel diante do olhar plácido, frouxo e retumbante de uma OAB que perdeu seu rumo e sua identidade.

A OAB capixaba é patrocinada nas campanhas por grandes bancas de advocacia, que patrocinam os interesses dos juízes estaduais. Sem oposição, sem barreiras, sem enfrentamento institucional não adianta o combate solitário de alguns periódicos e advogados isolados. Quando não atacam no bolso, esta raivosa e faminta solitária jurídica, coloca-os na solitária.

Cresce o joio, padece o trigo.

Padece a democracia sob uma ditadura branca, que faz a sociedade respirar por aparelhos. Pode-se dizer: Mas não há mais tortura! Há sim. O choque, as surras, os paus-de-arara foram trocados por canetas folheadas a ouro e filas de engravatados que marcham quase em uníssono como os milicos de 64.  Quem é hoje o novo Cidadão Boilesen[1]? Um amador que sentaria na última cadeira desta nova escola, ou sadicamente em frente à UTI social, para regozijar-se, como fazia,  vendo a democracia respirar por aparelhos e os agitadores políticos e sociais tomarem porrada de martelinho, afinal a toga curta não esconde a farda!

 

Gustavo Bassini Schwartz é advogado militante.

OAB 7157 – O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.