A DESINFORMAÇÃO COMO FORMA DE DOMINAÇÃO

                                                                                                       

Por :   Profa. Guilhermina Coimbra

Os residentes no Brasil estão se informando bastante bem sobre tema - aparentemente e até então – de interesse somente dos militares.

A população brasileira bem humorada e com mentalidade crítica costuma disfarçar, mas, observa com seriedade que o Brasil “é a bola da vez”, para os “players” ao redor do mundo: aqueles de sempre, costumeiramente jogando o jogo sujo da apropriação indébita, de territórios férteis de minérios geradores de energia alheios.

 

Isto é muito bom. E nem poderia ser de outra forma: não há como ignorar os exemplos históricos recentes ao redor do mundo, insistindo em chegar e em se instalar no Brasil.

Uma população bem informada é sempre a melhor defesa contra interesses poderosos que venham a pressionar governantes bem intencionados a agir contrariando interesses dos residentes no país.

Didaticamente, é importante explicar sobre a atividade de obtenção de informações e, mais propriamente, sobre a atividade da disseminação da desinformação.

Pesquisadores enfatizam a necessidade de se informar cada vez mais à população sobre as reais intenções de  determinados  grupos. Isto porque, desde os tempos bíblicos essa necessidade sempre foi prioridade: “... a conquista da Gália por César decorreu de seu melhor uso de informações. Historicamente, a Bíblia é rica em assuntos sobre espionagem e contra-espionagem. A primeira ação conhecida se encontra no Livro de Juízes, capítulo 7, sobre como Gideão, com forças infinitamente menores e mais fracas conseguiu produzir som alto ofuscando e desorientando os oponentes, posteriormente abatidos. A vitória de Gideão, mutatis mutandis, pouco difere em doutrina, técnica ou tática de operações recentes: - na África Saariana ; - no Paquistão, em maio de 2011.  

A Bíblia, também, menciona a importância do levantamento de informações, precedendo uma ação “ostensiva” propriamente dita: ...“E falou o Senhor a Moisés, dizendo: “Envia homens que espiem a terra de Canaã...”.  Sucessor de Moisés, Josué fez uso de “espias” com a finalidade de angariar informações a respeito da situação em localidades, particularmente Jericó. (In, Livro de Números 13: 1-2, Capítulo 13, Versículos 1-2). Também, em Josué, Capítulo 2, Versículos: 1-5 encontramos: ... “Então Josué enviou dois espiões dali onde se encontrava o campo israelita em Sitim, para que passassem o rio e se dessem conta secretamente de qual era a situação no outro  lado...”. ... “Seus espiões...foram mandados pelos chefes israelitas para estudarem a melhor forma de nos atacarem”. ...“Pela fé, Raabe ... acolheu em paz os espias”... (In Hebreus 11:31, Capítulo 11, Versículo 31). 

...”.  George Washington exortava: ...  “A necessidade de obter informações de qualidade é evidente e não precisa ser objeto de debate” (In KEEGAN, John, historiador militar inglês, sobre o pensamento de George Washington, in Inteligência na Guerra: conhecendo o inimigo, de Napoleão à Al-Qaeda, Companhia das Letras, 2006).    .

A lógica, através da observação, indução, dedução, tem que ser desenvolvida, atentando para o fato de que, além de obter informações de interesse e resguardá-las quando necessário, desinformar também garante resultados quando se trata de  mobilização de grupos, formar opiniões, fragilizar instituições, ocultar fatos etc..

Aplicativos como o WhatsApp, como outros, feitos para facilitar o contato entre pessoas, podem ser utilizados para propagar em curtíssimo espaço de tempo boatos e informações distorcidas causando comoção, vez que os usuários não se preocupam, antes de compartilharem, em verificar a veracidade ou o contexto.

É importante interesse da população o conhecimento da contra-informação.

A contra informação é o exercício de ações especializadas em analisar a obtenção, produção e proteção de dados e conhecimentos para o Brasil.

Até que se esclareça que a informação recebida não é verídica ou não se destina ao mero esclarecimento, a mensagem já produziu seu efeito: desinformar.

Já foi alertado, “... quanto ao grau de informação,  ... “evidentemente é mais fácil enganar uma população pouco informada do que uma bem informada. ...”Nos regimes totalitários, o governo se esforça para controlar totalmente a informação, ao ponto de se tornar impossível distingui-la da propaganda.
A população, recebendo tudo da mesma fonte, não tem dados para exercer seu espírito crítico, e corre o risco de acreditar em mentiras, ou então, depois de decepções acumuladas, torna-se totalmente cética”. (In DURANDIN, Guy , “As Mentiras na Propaganda e na Publicidade”, JSN Editora, 1997. Obs.: “Na obra, exemplos como Goebbels -“expert”, em desinformação - e vários outros, são citados).

Acompanhar o tema é mais complexo e de difícil compreensão do que aparenta. Devido à velocidade da dispersão de informações, caso não se pesquise, é fácil se deixar levar por fatos parciais ou interesses não evidentes. Entretanto, a população brasileira está atenta.

A população verifica que o status de violência ora imperante no Brasil não é aquilo que parecem querer fazer crer.

Algumas certezas são:

-se o Brasil for obrigado a se fechar – as condições do Brasil serão muito melhores do que as ocorridas no Império e na época da 2ª Grande Guerra Mundial;

- não será bom, para os interessados no status caótico de violência vigente no Brasil - se o Brasil for obrigado a levar a questão desta insegurança patrocinada por interesses de fora do Brasil - ao foro da ONU.

A população brasileira é amiga, hospitaleira e bem humorada.

O Brasil merece respeito.

* Currículo Lattes; Pesquisadora cadastrada/CNPq, CAPES, FGV-Rio.