AS RESERVAS E AS RESERVAS

                                                                 

   Por : Profa. Guilhermina Coimbra.

O Governo do Brasil, com a privatização deixou de arrecadar a receita originária – aquela que o governo aufere nas suas funções empresariais governamentais – que no momento está a fazer falta.

Há que se repetir isso até a exaustão. Principalmente quando se queixam de falta de dinheiro para cobrirem as urgentes necessárias despesas públicas.

 

Por culpa da privatização - forçada pelos representantes de interesses de fora do Brasil - também, conhecidos como corretores dos bens públicos do Brasil -  a receita originária, isto é, a receita não derivada de tributos deixou de entrar para a Caixa do Tesouro Nacional do Brasil e passou a abastecer caixas de tesouros nacionais alienígenas.

Como conseqüência, o número de desempregados já passa de 13 milhões de pessoas. Com cada uma delas vendo diariamente seus reduzidos recursos perderem valor, voltando suas preocupações apenas a itens mais básicos de consumo.

Entretanto, a questão da privatização, embora pareça ser irreversível – não é.

Há que se entender: sempre haverá a possibilidade do Estado brasileiro reverter o feito, fazendo uso do ius imperium – principalmente, se provada, como já está sendo, prejudicial aos interesses dos contribuintes do Brasil.

Neste quadro, com o governo do Brasil obrigando-se a explorar o que ainda não tiver sido devidamente explorado no Brasil – toda a atenção é preciso com as propostas indecentes dos representantes dos perseverantemente interessados em se apossarem do território do Brasil.

Como já foi dito e diariamente provado, notícias, pronunciamentos, declarações públicas, no Brasil, nunca são exatamente como pretendem ou, parecem ser.

A palavra de ordem “reserva”, por exemplo, tem que ser lida, pesquisada e observada atentamente. As reservas podem ter significado completamente contrário aos interesses da população brasileira.

Em termos de mineração de minerais geradores de energia – o sal da vida – quase sempre, quando tratam de reservas, a intenção é a de reservar tais minérios para o mercado internacional de energia.

Isto prejudica a população brasileira (mais de 260 milhões de habitantes) porque tais minérios são esgotáveis, demanda tecnologia complexa e demorada, razão pela qual devem ser exploradas desde agora, reservando-se o necessário para o uso de futuras gerações de residentes.

É de se observar a luta intensa entre os interessados e o Governo do Brasil que acabou suspendendo por 120 dias o Decreto que havia liberado a área na Amazônia à mineração. Pretende fazer um amplo debate com a sociedade brasileira.

Mas, tem que informar antes. Tem que explicar: tudo demanda infra-estrutura e tecnologia complexa; o Brasil precisa dar destino útil aos minérios de seu subsolo; somente deve reservar o necessário para as gerações futuras; e principalmente, tem que explicar que o Brasil não pode se deixar ficar como reserva de mercado de minérios geradores de energia para os residentes fora do Brasil - residam eles onde quer que residam.

Nem pode se deixar ficar a mercê das necessidades do mercado internacional de minérios geradores de energia (hidrocarbonetos, petróleo, gás; nucleares,  urânio, nióbio, tório, lítio e outros).

O mundo está de olho no Brasil.

Fechar questão é preciso: o Brasil tem que dar destino útil aos minérios geradores de energia que jazem no seu território urgentemente e ponto.

São vários os interessados, em lucrar muito com os bens públicos do Brasil, deixando a população brasileira de fora dos ganhos. A população tem que ser esclarecida porque, quando ela percebe de moto próprio, a percepção quase nunca é favorável ao Governo.

 Toda a atenção é preciso. A proposta do Presidente da Colômbia - no Dia Mundial do Meio Ambiente, por exemplo - de criar um “Corredor Ecológico” que iria dos Andes ao Oceano Atlântico, passando pela Amazônia - é ambígua, maliciosa, advoga interesses de fora da América do Sul. Significa reserva de matéria-prima geradora de energia para o mercado internacional, independentemente de prejudicarem as populações Su-americanas.

...“Será o maior corredor do mundo, com 136 milhões de hectares, que batizamos de Triplo A, pois seria andino, amazônico e atlântico, indo dos Andes até o Atlântico, no Brasil”, declarou o Presidente Santos, da Colômbia, no Programa Oficial de Televisão Agenda Colômbia, em 16.2.2017Segundo as palavras do Presidente colombiano, a proposta serviria para “preservar a área e como uma contribuição da humanidade para a discussão sobre como deter as mudanças climáticas”.

Toda a atenção é preciso porque, as preocupações - supostamente ambientais do Projeto - escondem interesses de retirar parte do território do Brasil.

 

Os residentes no Brasil são amigos e clientes contumazes de seus amigos do Norte o maior mercado do mundo - com certeza e muitos dólares despendidos fora do Brasil.

 

Entretanto, o “Corredor Ecológico” é um risco à integridade territorial do Brasil e, positivamente, não é um Corredor, porque:

- é um rasgão que se faz no território do Brasil;

- é uma verdadeira ocupação do território brasileiro;

-  ...” No mínimo, é o germe da ocupação de uma parte do Brasil,  com o objetivo de isolá-lo do norte, do Caribe, e a América do Sul da parte Norte”....(In MAESTRI, Rogério, Professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Revista Sputnik, agosto, 2017);

- território fértil de fontes geradoras de energia esgotável não é negociável e tem que estar fora de qualquer negociação;

- o referido “Corredor Ecológico” é território pleno de fontes geradoras de energia esgotáveis, não pode ser objeto de transações comerciais;

- se é para proteção “ambiental” e forçar o Brasil a ir até o Pacífico, a lógica demonstra que o Brasil pode e deve ir, mas - é indo mais para o Sul, mais para baixo do território da Venezuela;

- absolutamente, não interessa se o Brasil: ... “Será o maior corredor do mundo, com 136 milhões de hectares, que batizamos de Triplo A, pois seria andino, amazônico e atlântico, indo dos Andes até o Atlântico, no Brasil”, declarou Santos, Presidente da Colômbia,  no programa oficial de Televisão Agenda Colômbia, em 16 de fevereiro se 2017.

 

Segundo as palavras do Presidente da Colômbia, a proposta serviria para ...“preservar a área e como uma contribuição da humanidade para a discussão sobre como deter as mudanças climáticas”.

Decodificando: é inconcebível, ilógico, o Brasil concordar em não explorar a área. Seria uma contribuição vergonhosa de mais de 260 milhões de habitantes do Brasil, carentes de todas as necessidades, em benefício dos interesses dos participantes do rico e aético mercado internacional.

Comentário que não quer calar: Uma vergonha, ver Presidente de país da América do Sul, advogando acintosamente interesses de fora do Continente Sul Americano!

Se a Amazônia existe é porque sempre teve o Governo do Brasil conservando-a bem ou mal, para uso desta, das futuras gerações de residentes no Brasil.

É, portanto, de se elogiar, exaltar, dar toda a honra, todo o mérito e toda a glória - aos cuidados dispensados pelo Governo brasileiro a Amazônia Sul-americana.

As populações dos Estados da América do Sul inteligentemente percebem e reconhecem que a segurança do Brasil é de interesse de todos os residentes na América do Sul.

 

Ademais, Estados que desmataram, colonizaram ao máximo, e, continuam como colonizadores - de parte de um mundo com status de eterno sub desenvolvimento - não têm moral para falar na incapacidade do Brasil para gerir a Amazônia.

 

Finalmente, como não se negocia com território fértil de fontes geradoras de energia esgotáveis - é sempre mais do que importante zonear para saber os tipos de minérios encontrados, no corredor que pretendem ecológico.

Simples assim.

Sorry, sorry, very sorry.

O Brasil merece respeito.

* Currículo Lattes, Pesquisadora CNPq, CAPES, FaPERJ, FGV-Rio.