EDUCADORES DO POVO

Por : João Baptista Herkenhoff

         Quero nesta carta debruçar-me à face do que denominamos de alfabetização universal, ou seja, alfabetização que pretende alcançar a totalidade da população.

         Reverencio a memória de dois educadores. A primeira homenagem é para um brasileiro, de projeção internacional. A segunda homenagem eu a presto a uma educadora do Estado do Espírito Santo.

         Acredito que Paulo Freire, a que rendo tributo, nos dá o norte do que deve ser um programa nacional de alfabetização.

 

Disse esse educador que a alfabetização, a ser garantida a todo o povo, deve possibilitar o acesso ao mundo e o poder de construí-lo com liberdade. Essa é a linha de sua pedagogia libertadora. Alfabetizar não é apenas ensinar a juntar letras. Muitos no Brasil fizeram eleitores juntar letras para garantir a permanência no poder daqueles que não pretendiam libertar o povo, mas sim mantê-lo escravo.

A primeira experiência de educação libertadora levada a efeito por Paulo Freire realizou-se em Pernambuco, seu Estado natal.

Em razão de suas ideias e de sua ação, Paulo Freire foi perseguido, preso e forçado ao exílio. Durante a permanência fora da Pátria, foi consultor do Conselho Mundial das Igrejas, em Genebra, e deu assessoria a governos de países pobres da África.

         Zilma Coelho Pinto, educadora cachoeirense (ES), foi a primeira, no Brasil, a compreender que a alfabetização em massa era uma exigência de cidadania. Não foi uma doutrinadora, não escreveu nenhum livro. Foi alguém que "colocou a mão na massa" e convocou governos, entidades, sociedade civil a eleger, como meta prioritária e de realização possível, a alfabetização universal do povo.

João Baptista Herkenhoff é magistrado aposentado (ES) e escritor. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Site: www.palestrantededireito.com.br