TUDO PARECE PRONTO PARA A INVASÃO DEFINITIVA

 

Por : Francisco Vianna

 

Exército Russo se posiciona ao longo de fronteira da Ucrânia na medida em que as negociações chegam a um acordo assinado pelas partes. Moscou insiste em que a ameaça de Obama de impor mais sanções à Rússia é ‘inaceitável’ e diz que ‘reforços militares’ foram enviados para a fronteira. A agência de notícias France Presse informou hoje que a Rússia dispôs um grande contingente militar ao longo da fronteira norte e nordeste com a Ucrânia e advertiu que a invasão da ex-nação anexada pela antiga URSS está prestes a ocorrer.

 

Fazendo voltar a Ucrânia àquela condição dentro da “Federação Russa”, e que os EUA devem pesar muito bem a imposição de futuras sanções econômicas e políticas anunciadas pela Casa Branca na sexta feira de ontem em virtude de um impasse nas negociações com Washington, aparentemente por intransigência da parcela da população rebelde que apoia Moscou e quer a reintegração com a Rússia.

 

Como o acordo foi assinado, a ameaça do presidente dos EUA, Barack Obama, de que mais sanções serão impostas pela comunidade mundial à Moscou caso o acordo alcançado na quinta feira com a Ucrânia e a União Europeia não seja aceito ou concluído, é "absolutamente inaceitável", disse o porta-voz do Kremlin Dmitry Peskov pela TV russa. "Nossos colegas ocidentais estão tentando empurrar a responsabilidade para o nosso lado. Mas deve ser sublinhada: é uma responsabilidade coletiva", disse ele. Peskov disse com todas as palavras que "as tropas russas estão prontas para agir estacionadas ao longo da fronteira com a Ucrânia". “Uma parte do efetivo já serve em bases existentes por lá e outra parte foi enviada como ‘reforços’ devido a situação no país vizinho”, acrescentou.

Tais comentários parecem direcionados a Washington numa advertência de que a situação poderá degradar rapidamente para a anexação militar do país à Federação Russa, caso Moscou seja punida ou falhe em conseguir por em prática o acordo assinado. Enquanto isso, a Casa Branca reiterou que está de olho em Moscou para ver se a Rússia estará ou não fazendo a sua parte do acordo.

A assessora de Segurança Nacional Americana, Susan Rice, disse à imprensa que “os EUA esperam que os russos cumpram a sua parte e que estarão vigiando para ver se a Rússia vai ou não vai assumir sua responsabilidade no uso de sua própria considerável influência para se conter e retirar do solo vizinho suas milícias irregulares”. Seu colega do Departamento de Estado, o porta-voz Jen Psaki, acrescentou que “caso não queiram os russos tomar as providências corretas, haverá consequências a serem enfrentadas”.

O acordo inclui o que chama de “todos os grupos armados ilegais” que devem ser desarmados e abandonar os prédios estatais e praças que ocupam. Mas, no território do resto do leste da Ucrânia, onde a influência russa é muito forte, houve sinais de que o acordo estava caminhando para um impasse horas antes das quatro partes nele envolvidas assinarem o documento final. Os rebeldes pró-Rússia se recusavam a ceder o controle de uma série de cidades que eles ocuparam ao longo das duas últimas semanas.

Moscou, no entanto, diz que os manifestantes pró-ocidentais em Kiev desfilam lentamente em torno da icônica praça Maidan, que continuam a ocupar, mesmo depois de expulsar o ex-presidente Viktor Yanukovych, há dois meses. "Não se pode tratar a Rússia como se fosse um estudante vergonhoso, e brandir um pedaço de papel no qual colocamos nossos xizes ao lado dos deveres que foram assumidos", disse Peskov.

Caso o laborioso acordo colapse — como os líderes ocidentais e ucranianos acham que irá ocorrer — os EUA têm dito que imporão muito rapidamente uma série crescente de sanções à Rússia, a que consideram como responsável por dar apoio aos separatistas e por levar a crise adiante.

Na principal cidade do norte da Ucrânia, Donetsk, rebeldes separatistas armadas usando mascaras de esquiação ainda ocupam uma barricada num prédio do governo, de onde exibem seu desafio cantando o hino nacional russo por meio de alto-falantes. Denis Pushilin, um destacado membro da autoproclamada “República de Donetsk”, disse que concorda em sair dos prédios, mas apenas se os líderes ucranianos em Kiev também deixarem os “prédios que ocupam ilegalmente desde o seu golpe de estado”, em fevereiro.

Na cidade próxima de Slavyansk, insurgentes permanecem acantonados dentro de uma chefatura de polícia ocupada. Em Kramatorsk, militantes pró-Rússia, irredutívies, também se matêm em barricadas feitas com pneus e sacos de areia, enquanto os helicópteros militares ucranianos continuam a pousar e levantar voo num aeródromo próximo que permanece sob controle de Kiev.

Numa concessão aos militantes pró-Rússia, o Primeiro Ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk prometeu a todos salvaguardas para o uso da língua russa e um amplo espectro de descentralização do poder. A Ministra das Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Deshchytsya, também sugeriu que as autoridades se abstenham por enquanto de qualquer ação militar futura por terra para dar ao acordo o tempo que necessita para se tornar efetivo. “Caso isso não comece a ocorrer nos próximos poucos dias, digamos, até o fim da Páscoa, ações militares mais concretas terão lugar inevitavelmente”, disse a Ministra Deshchytsya à imprensa. A Páscoa, na Ucrânia Católica Ortodoxa termina na segunda feira.

Um Obama cético, da mesma forma, tem discursado afirmando querer ver progresso do acordo em poucos dias, ou, de outra forma, uma escala de sanções econômicas e políticas já expostas ao círculo próximo a Vladimir Putin, começarão a ser postas em prática. O Vice-Presidente dos EUA, Joe Biden, é esperado em Kiev na terça feira que vem. Obama também deixou claro o seu “nojo” pelos relatos de folhetos antissemitas distribuídos em Donetsk, mostrando, na prática que o socialismo é o mesmo, tanto faz seja ele nazista ou sovietiforme. Os panfletos dizem que “os judeus têm que se registrar como judeus ou serão expulsos”, causando ultrage global e medos de uma reincidência dos “progroms” ao estilo nazista.

Susan Rice comentou que “o Presidente Obama expressou o seu nojo a isso de forma bem direta e sem subterfúgios e acho que nós todos consideramos que os panfletos foram escritos por gente doente, e sua demência não tem mais lugar no século XXI”.

O governo ucraniano e muitos outros ocidentais acreditam que as ocupações no leste do país ocorreram com apoio ativo de unidades militares russas de elite, alegações negadas por Moscou. Para reafirmar suas queixas, a Ucrânia disse que mantém detidos dez “espiões russos” que acredita terem sido mandados para disseminar a agitação. Kiev também, de acordo com a empresa Aeroflot da Rússia, resolveu banir a entrada no país de russos do sexo masculino entre 16 e 60 anos de idade.

Num raro sucesso militar, o exército ucraniano disse ter recuperado dois dos seis veículos militares armados capturados pelos separatistas durante uma desastrosa operação militar no início da semana.

Na quinta feira, Putin advertiu que a Ucrânia estava se jogando no “abismo” — e que esperava não ter que recorrer ao seu “direito” de enviar dezenas de milhares de soldados estacionados ao longo da fronteira da Ucrânia. Ele culpa os líderes interinos em Kiev pela agitação toda, cuja autoridade ele não reconhece.

Alguns analistas dizem que o acordo assinado ontem pode ser uma solução para livrar a cara da Rússia. “Pode-se ver por que os russos o assinaram, ao sentirem que as sanções ocidentais estavam bem perto de serem impostas, e por isso eles tiveram que dar um passo atrás”, disse um cientista político baseado em Kiev, Andreas Umland. “Mas estou cético e acho que a coisa ainda não acabou”...

Anatoliy Gritsenko, um ex-Ministro da Defesa ucraniano e candidato a presidente do país nas próximas eleições, escreveu em seu sítio na Internet: “Será que o acordo de Genebra vai acalmar e acomodar a situação na Ucrânia? Minha resposta é não”.

O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.