DESMONTE IRRESPONSÁVEL DO SETOR NUCLEAR BRASILEIRO AFASTA O BRASIL DO MERCADO GLOBAL

Por :  Profa.  Guilhermina Coimbra

 O Brasil – junto com os Estados Unidos e a Rússia é parte do seleto grupo de Nações que possui em seu território minérios nucleares, geradores de energia e domina o ciclo do combustível nuclear, de modo auto-suficiente - para a geração de energia elétrica.

Os demais países ou têm a tecnologia que transforma a matéria-prima/minérios nucleares in natura em energia ou, tem a matéria-prima: não têm ambas - minérios nucleares e tecnologia - juntas.

Além do Brasil, EUA e Rússia, somente mais oito Estados nacionais completaram o ciclo tecnológico do enriquecimento do urânio – mas todos eles dependem da importação do minério.

 

Entretanto, toda a atenção é preciso para não deixar de ordenar ao representante do Brasil na Organização das Nações Unidas/ONU, Nova York, para não deixar de estar presente no plenário da ONU protestando e fazendo valer o direito do Brasil de dar solução de continuidade ao Programa Nuclear Brasileiro.

É inconcebível, a luz da razão e do direito, aceitar que em breve, os contribuintes de direito e de fato, sejam obrigados a enfrentar as conseqüências de uma crise de financiamento, gerada há cerca de três anos – e assistam ao completo abandono do Programa Nuclear Brasileiro gerador da energia elétrica econômica e segura.

A energia nuclear, no momento, abastece a Região Sudeste, mas, é prevista e inteligentemente pensada para abastecer onde se fizer necessária em qualquer parte do território do Brasil, porque é energia limpa, segura e portátil.

O desmonte e a perda de todos os árduos investimentos suportados pelos contribuintes brasileiros - a custa de diversificadas áreas carente, sacrificadas em benefício do Programa Nuclear Brasileiro - só interessa aos países centrais.

“...O Brasil, há seis anos, era reconhecido internacionalmente. Hoje, não mais, por culpa da paralisia dos investimentos no setor nuclear".---, afirma professor de Engenharia Nuclear da COPPE/UFRJ.

É verdadeira malversação de dinheiro público.

 

A Associação Brasileira de Energia Nuclear (ABEN) explica:

 

 ...”A situação financeira da ELETRONUCLEAR é crítica devido à falta de renovação do seu empréstimo junto ao BNDES para a construção da usina de Angra 3, O Banco está exigindo que a empresa assuma encargos da ordem de R$ 30 milhões por mês antes de a própria usina gerar receita, comprometendo o fluxo de caixa da ELETRONUCLEAR e o pagamento a fornecedores....”

 

Uma verdadeira “varredura” judicial, através da Polícia Federal nos ganhos – no Brasil e no exterior - daqueles que fazem exigências, pressionando a ELETRONUCLEAR dentro do BNDES – é entendida como necessária.

 

Parar de brincar com dinheiro público – sofrido e suado – dos residentes no Brasil é mais do que preciso.

 

Há tempos, o Governo brasileiro vem sendo alertado pela a Associação Brasileira de Engenheiros Nuclear/ABEN que a paralisação das obras de Angra 3, com o conseqüente risco da referida usina não entrar em operação, poderá agravar a crise do setor elétrico brasileiro.

A usina poderia agregar quase 1.500 MW à oferta de energia num momento em que se registram baixos níveis de armazenamento nos reservatórios das hidrelétricas.

O Brasil tem a sétima maior reserva de urânio do mundo, com potencial para ser o primeiro desse ranking.

Com minério de sobra – mas todos esgotáveis, razão pela qual não se deve nem cogitar de exportá-los - o país fez, a partir do fim da década de 1970, um notável esforço tecnológico de enriquecimento do urânio, por meio de centrífugas, que surpreendeu o mundo, em um projeto coordenado pela Marinha, com a parceria das universidades e dos institutos de pesquisa.

 

O Brasil passou a dominar essa tecnologia sensível e anunciou, na metade da década de 1980, a sua capacidade de enriquecer urânio", frisa.

 

Portanto, o Brasil tem matéria-prima e tecnologia para galgar a posição de player no mercado global, segundo o pesquisador. São mais de 400 usinas nucleares no mundo com necessidade de manutenção e abastecimento de urânio.

 

O Brasil ainda não faz parte, mas, tem que ocupar o seu lugar – de direito e de fato - nesse ‘mercado que movimenta mais de U$ 20 bilhões, restrito a cerca de cinco países, e que envolve o fornecimento de componentes e de matéria-prima para as usinas. Só que o Brasil ainda não entrou neste mercado global e nem querem que entre".

Ex-presidente da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), empresa que exerce o monopólio da produção e comercialização de materiais nucleares, defende a venda do minério enriquecido, ou seja, com valor agregado, e não do urânio in natura.

Além das vantagens econômicas que pode proporcionar ao Brasil, o programa nuclear tem outro viés, relacionado à defesa do Estado e da soberania nacional.

O submarino nuclear tem uma importância geopolítica estratégica, já que o país tem uma costa extensa, onde há petróleo e minerais valiosos que podem ser explorados.

"Essa extensão de mar ao longo da costa é uma área a ser defendida. O submarino nuclear é uma peça estratégica dentro do arranjo de defesa do território, já que permanece mais tempo submerso e não pode ser detectado por satélites ou sonares dos navios", explica.

Para evitar confusões, professor da Coppe/UFRJ lembra que o Brasil é o único país do mundo que tem um artigo na Constituição que proíbe o uso da energia nuclear para fins militares.

Portanto, o submarino é movido a propulsão nuclear, não é uma arma nuclear.

Além do submarino nuclear – que deverá ficar pronto em 2029, com atraso de quatro anos devido à falta de recursos –, o Programa prevê a construção de mais quatro submarinos convencionais, devendo o primeiro deles ser lançado no início do ano que vem.

Assim os residentes no Brasil cientes do tesouro inestimável que se encontra no território brasileiro – minérios nucleares - estão atentos.

Aguardam a construção das usinas nucleares – geradoras de energia limpa e segura no Brasil - onde quer que se fizerem úteis e necessárias, independentemente da vontade de fora do Brasil conluiada com amigos dentro do Brasil.

O Brasil merece respeito.

* Currículo Lattes.