A GRANDE FARSA

Por : Roberto Romanelli Maia

 

A subida da taxa de juros Selic para 10,50 % ao ano é apenas mais uma amarga notícia para a economia nacional neste começo de 2014. O pretexto de se combater a inflação, que bateu oficialmente em 5,84%, em 2013, mas que todos sentem ser mais elevada, novamente aumentou nos últimos meses a um dos maiores patamares de juros do mundo. Aliás, o custo e a carestia de vida se torna a cada dia mais visível, conforme é revelado por estudo do Dieese, quando afirma ter a cesta básica aumentado mais de 10% em nove capitais brasileiras. Este índice é maior que a inflação oficial e, é claro, maior que o reajuste do salário mínimo, apresentado como “um ganho substancial do trabalhador” pelo governo petista.

 

 

Segundo o mesmo Dieese (órgão oficial), o salário mínimo deveria chegar a R$ 2.765,44 que segundo ele é o valor mínimo para a sobrevivência de uma pequena família.

Registre-se que a crise econômica que se aprofunda desde 2008 amplia seus efeitos no Brasil e até os mais otimistas “especialistas” na economia dos monopólios fazem previsões catastróficas.

 

O déficit das contas correntes brasileiro (a diferença entre o dinheiro que sai e o que entra no país) ameaça ultrapassar em 2014 os 100 bilhões de dólares, nível altíssimo em relação ao ano anterior, 2013.

 

O número, na verdade, é muito maior, já que o governo brasileiro não contabiliza as operações fraudulentas como é o caso da venda subfaturada e das compras superfaturadas entre filiais daqui e suas matrizes no exterior, por exemplo. 

A maquiagem contábil e os artifícios adotados pelo governo petista também alcançam a balança comercial que apresentou um falso superávit de 1 bilhão de dólares, este devido, entre outros motivos, à “venda” de plataformas de exploração de petróleo para empresas estrangeiras, “alugadas” aqui pela Petrobras. Na verdade o que houve e não é assumido nem exposto pelo governo Dilma é que houve e há um déficit da balança comercial.

Sobre o endividamento das famílias brasileiras ele já alcança 62% e tende a crescer no ano de 2014/15, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio, constituindo-se numa bola de neve de crédito como nunca se viu na história desse país.

Por outro lado a queda nas vendas, mesmo com o excesso de disponibilidade de crédito se revela cada dia mais presente e um exemplo está na indústria automobilística que já registrou queda em suas vendas em 2013.

 

Em relação a casa própria as construtoras “encheram as burras” com dinheiro público, e com um aumento dos financiamentos patrocinados pela Caixa e pelo Banco do Brasil, entre outros, mas mesmo assim reclamam que existe “excesso de oferta” de imóveis, na contramão de uma realidade que mostra milhões de famílias sem casa no país.

A desnacionalização e desindustrialização da economia se ampliaram e crescem cada vez mais, e o governo do PT mantem e perpetua privilégios dados ao latifúndio (produção primária e monoculturas para exportação), que é o pilar básico da condição semicolonial, da semifeudalidade e do capitalismo burocrático do país.

 

Como decorrência, adota-se uma politica econômica que privilegia a manutenção de baixos salários, o caos na educação, na saúde pública, no transporte, na segurança pública e que favorece uma maior concentração da terra, o que conduz ao aumento da miséria de milhões de brasileiros.

Diante destes e de outros dados, muitos ocultos ou disfarçados pela burocracia petista, resulta evidente que algo muito grave, principalmente para o povo, está para ocorrer no Brasil, a partir das eleições, revelando a ilusão e a falsidade das estatísticas e das campanhas publicitárias do governo Dilma.

 

Sinais visíveis e claros de crescimento do desemprego e de aumento da miséria estão previstos para breve, segundo preveem os especialistas na matéria. Eles são marcas de um velho Estado burocrático brasileiro, que foi e está sendo ressuscitado pelos governos petistas, que o promove através de campanhas maciças de contrapropaganda e de repressão contra o povo.

Enquanto a Presidente Dilma só sabe enaltecer as “grandes realizações” e os “milagrosos sucessos” de sua política, através do ufanismo de frases de efeito sobre a Copa da Fifa, Olimpíadas, etc., o despautério chega ao ápice do cinismo quando uma Governadora, Roseana Sarney, representante de uma oligarquia secular, em meio ao genocídio da população carcerária do estado que gerencia, afirma que os problemas e protestos ocorrem porque o Maranhão e os maranhenses estão mais ricos!

Por outro lado, quando a publicidade, mesmo realizada e transmitida em doses cavalares, não é capaz de convencer e de reprimir as massas, tentam algemá-las através da repressão a qualquer tipo de contestação além dos limites dos “movimentos sociais” domesticados pelo oportunismo.

 

Assim, crescem as tropas de choque do PT, que se revelam atuantes através do uso interno da Força Nacional de Segurança onde a preparação de batalhões armados e de  batalhões anti-distúrbios, são mobilizados para uma guerra contra-insurgente!!!

 

Para tal altera-se a legislação e cria-se uma “lei antiterrorismo” que objetiva impossibilitar os que protestam pacificamente contra a realização da Copa e dos gastos que foram realizados, promovendo o encarceramento em massa dos rebelados, de suas lideranças e dos verdadeiros revolucionários, que não adotam o uso da violência campal.

Justifica o governo, o sistema e as forças conservadoras usando os tradicionais chavões adotados pelos últimos governos na Venezuela, e em outros países latino americanos, que  toda essa preparação e estas medidas do “Grande Irmão” são e serão adotadas para reprimir os protestos populares.

 

Adota-se o uso da violência policial tendo como pano de fundo a justificativa que a Copa do Mundo deve ser um sucesso, custe o que custar, como se os que são contrários a sua realização não fossem também brasileiros com os mesmos direitos dos que a defendem.

 

Mas não nos esqueçamos: isso é Brasil!

 

E em nosso país vale tudo e este tudo fica por isso mesmo!

 

ROBERTO ROMANELLI MAIA

 

ESCRITOR, JORNALISTA

 

 

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