FERNANDO HADDAD NÃO É IGUAL A ARTHUR VIRGILIO

Por : Juarez Cruz

Encontrar políticos coerentes no Brasil é algo extremamente raro, a final ter coerência, personalidade, determinação, independência e confiar muito no seu taco, é muito difícil.

O presidenciável Fernando Addad(PT) é um exemplo de político incoerente e não difere muito da maioria dos políticos brasileiros. Quando foi prefeito de São Paulo (2012/2016) foi isolado e maltratado pela presidente, a época, Dilma Rousseff(PT) e por uma parte das lideranças do partido que, como Lula, não o tratavam com a importância que ele merecia, principalmente por governar a maior cidade do País e da América Latina.

 

Fernando Haddad não era e não faz parte da corrente majoritária do partido, Construindo um Novo Brasil-CNB, da qual fazem parte Lula, Dilma e por isso ele não era tratado com muita deferência e os suas demandas não eram bem atendidas por Dilma Rousseff, Lula, pelo partido e seus caciques.

Na época que Haddad era prefeito de São Paulo, andou se queixando da falta de atenção do governo Dilma e da direção do partido com relação aos seus pedidos na alocação de recursos para a capital paulista e ouviu de Lula que “parasse de chorar e trabalhasse mais”. Ficou isolado e perdeu a eleição no primeiro turno para João Dória (PSDB).

Com a corrida presidencial de outubro de 2018 se aproximando, Lula vinha sendo ameaçado de prisão pela Lava Jato pelos mal feitos cometidos durante seus oito anos de governo, até que o fato foi consumado e sua prisão decretada. Diante disso outros nomes surgiram como alternativa para encabeçar a chapa petista e o nome de Haddad foi um dos nomes lembrados. De imediato seu nome foi descartado por Lula que não aceitava a possibilidade de não ser ele o candidato. Diante de tantas evidências de que sua candidatura seria barrado pele Lei da Ficha Limpa(que ele mesmo aprovara), outros nomes foram cogitados e o nome do ex-governador da Bahia Jaques Wagner tomou conta das páginas dos jornais que sinalizavam como o candidato natural  do partido e da preferência de Lula. Haddad parecia nocauteado.

Como política é um jogo jogado e nem sempre o escolhido é o que parece mais provável para ser o candidato foi que Jaques Wagner, que contava com total apoio do supremo cardeal do partido, que mesmo dentro da prisão era e é quem controla toda situação e dita às regras do jogo, recusou a oferta.  Wagner recusou o convite porque não acreditava na possibilidade de ganhar a presidência com seu padrinho atrás das grades, dai que fez a opção pela candidatura ao senado pela Bahia, por achar mais garantido este pleito e assim conseguir seu foro privilegiado, pois a Lava Jata também ameaça vir em sua cola pelas denuncias do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-), que julga o envolvimento dele na Operação Cartão Vermelho, envolvendo OAS e Odebrecht num esquema de superfaturamento e fraudes na licitação de contrato para construção da Arena Fonte Nova, em Salvador.

São por estes e outros mal feitos envolvendo petistas que a porta volta a se abrir para Haddad e finalmente ele foi o escolhido pelo cardeal do partido Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, em campanha, Haddad não esquece o nome de Lula e até afirma aos quatro cantos que com ele na presidência Lula será seu guru e principal conselheiro, ou seja, quem vai efetivamente mandar em seu governo, esquecendo ele que na primeira oportunidade Lula o deixara de lado novamente, pois é exatamente isto que acontece com os fracos, bajuladores e chauvinistas, sem memória e sem personalidade.

Diferente de Haddad, o prefeito tucano de Manaus, Arthur Virgílio, numa total e inesperada atitude que esta deixando a direção do PSDB de cabelos em pé, declarou em ato público nesta última terça feira(18/09), que Geraldo Alckmin não é seu candidato. Três dias antes, em campanha na cidade de Rio Branco(SC), o presidenciável da PSDB havia telefonado para Virgílio dizendo que desejava incluir a capital amazonense na sua agenda de campanha. Ouviu do outro lado da linha, um sonoro “não venha não”.

O motivo deste retumbante não foi porque Alckmin, em fevereiro, não aceitou que ele participasse das prévias para escolha do candidato pelo partido. A época Alckmin fez tudo para isolá-lo e fugiu do debate como o diabo foge da cruz para evitar a disputa com Virgílio e Dória.

Outro fato que Virgílio usou para justificar sua posição foi porque Alckmin, quando governador ajuizou no Supremo Tribunal duas ações diretas de inconstitucionalidade prejudiciais aos interesses do pólo industrial de Manaus. “Ele não é a favor do meu Estado. Apoiá-lo seria como trair minha terra”, sentenciou.

Isto é coerência, personalidade e coragem de peitar um cacique do partido, mesmo sob o risco de Alckmin vir a ganhar a eleição e possivelmente boicotá-lo em seu Estado.

Estas são virtudes que Fernando Haddad não tem. Ele não é igual a Arthur Virgílio, e por causa de sua fraqueza e a dependência petista correrá o risco de pagar caro por isto.

 

Juarez Cruz

Escritor e cronista

Salvador-BA

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