NÓS CONTRA TODOS

Por : Salvator Dnóflio

            O presidenciável Henrique Meirelles, no artigo "Contra a guerra de torcidas" (Folha, 27/9) alerta para o perigo da luta entre os extremistas da esquerda e da direita, fomentando o ódio político e social já instilado pelo ex presidente Lula com o famoso grito "nós contra eles", como se pudessem existir trabalhadores sem empresários ou vice-versa. É muito difícil prever quem será mais nocivo para o futuro da nossa democracia, se o fanatismo petista ou o militarismo bolsonarista. Na verdade, os piores inimigos do nosso povo são todos os atuais parlamentares, de qualquer partido, que, seguindo a trilha dos antecessores, eivaram nossa Carta Magna de dezenas de PEC (proposta de emenda constitucional) para conseguirem imunidades, foros privilegiados, supersalários e inúmeros outros privilégios, além de formarem dinastias políticas, promovendo familiares e compadres na ocupação de cargos e funções do Estado sem concurso de títulos e provas.

 

            Infelizmente, as próximas eleições deveriam ser consideradas ilegítimas "ab origine" por ferirem princípios constitucionais como a igualdade de todos perante a lei e a proibição de legislar em causa própria. Recentemente, nossos congressistas alteraram normas e valores do fundo eleitoral e partidário para priorizar os candidatos à reeleição. Pode se considerar justa uma eleição em que candidatos recebem apoio da máquina do Estado, dinheiro público e tempo de televisão diferente, em detrimento de outros? Minha esperança é que os eleitores, em lugar de se preocuparem com a escolha de num futuro Presidente salvador da pátria, renovem totalmente os membros da Câmera, do Senado, das Assembléias estaduais e Câmaras municipais, cientes de que democracia é o governo do povo, que deveria ser representado por políticos honestos e competentes.

            Num governo mal administrado não precisamos arrumar provas (quem é o dono do triplex no Guarujá, do sitio em Atibaia, das contas em bancos suíços) pois, mesmo quem não é pessoalmente corrupto, é culpado pela conivência ou omissão. Por isso, precisamos limpar a casa, sabedores de que o bem público é muito mais importantes do que os interesses de indivíduos ou de grupos. É a vez do eleitor brasileiro adquirir uma nova consciência política, não degradando seu voto em troca de esmolas, pois está em jogo o futuro de seus filhos e netos. Os vastos recursos da era eletrônica nos possibilitam conhecer melhor os candidatos. Se continuarmos a não votar ou a escolher de uma forma egoísta e mesquinha, seremos co-responsáveis por todos os males que afligem nosso país. Não adianta mais tarde se queixar, pois teremos o governo que merecemos, visto que a escolha foi nossa!