DIREITO DE DISCORDAR

Por Roberto Romanelli Maia

 

Que  espécie de cidadãos somos nós ,que de forma ousada e coerente criticamos os últimos governos? A que universo pertencemos, se não acreditamos nessa falsa democracia que transmite os últimos governos ao se considerarem representantes de uma  “maioria”, composta por cerca de 72 % de analfabetos e de analfabetos funcionais (dados oficiais) e que se permite discriminar a minoria discordante, não a respeitando nem realmente garantindo os seus direitos constitucionais de livre manifestação e expressão.

 

 

Não falo de manifestações e de passeatas que descambem para a baderna, roubos e saques, mas da livre manifestação do pensamento, que em nosso país é permanentemente manipulada pelos órgãos da mídia financiados pelas vultosas verbas distribuída pela Petrobras, BNDES, Caixa, Banco do Brasil, etc.

 

Pugnamos pela existência de uma divergência de ideias realmente democrática, e somos contrários a qualquer tipo de controle da liberdade de imprensa e de liberdade de expressão.

 

Como admitir e aceitar que, por não concordar com essa atual política econômica, nem com aquela externa, se é que de fato elas existem, sejamos considerados traidores da pátria ou irresponsáveis quando o que desejamos é um país soberano, altivo e independente, que defenda os interesses do Brasil, desprovido dessa política aventureira, sem competência, nem perspectiva futura. Uma politica desassociada e distante, afastada de nossos valores básicos e princípios que sempre foram aqueles de não apoiar regimes, como os últimos que temos tido,inseguros, corruptos e incompetentes, porque desprovidos de programas que sejam realmente implantados e exequíveis para que funcionem. Prova disso são os inúmeros PACS que em sua maior parte nunca saíram do papel!

 

Sim, somos cidadãos e acreditamos que o crescimento do País é resultado de um processo que só terá significado e importância maior, no sentido macro social e econômico, quando o governo se dedicar a implantar os fundamentos de um crescimento sustentado, dentro de princípios onde predomine e se sobressaia a honestidade, a ética e a honradez na política, valores esses que não podem ser desprezados, nem abandonados.

 

Acreditamos que seja possível melhorar os índices sociais com uma distribuição de renda mais justa e o acesso de todos a uma educação e uma saúde de qualidade, sem que seja através de um sistema de cotas, instituído pelo governo, como um regime reverso de discriminação social e racial, que tende a distanciar e a aumentar as diferenças, entre brancos e afro descendentes, através do rancor e do ódio entre pessoas e classes sociais, separando grupos, etnias, classes e cidadãos, em vez de se promover a união de todos, em prol e benefício da Nação.

 

Defendemos a máxima que todos são iguais perante a lei; ninguém está acima dela, e portanto, ninguém pode transgredi-la impunemente. Discordamos frontalmente da impunidade reinante e do aumento da violência em todas as cidades deste país, graças aos artifícios legais que libertam milhares de prisioneiros e encarcerados, várias vezes ao ano,  apoiado por inúmeras leis sempre mediante a desculpa  de que se trata de solturas provisórias para visitas natalinas, de Páscoa, etc.

 

Não concordamos com a falta de respeito à bandeira e à pátria nacional, através do deboche e do achincalhe às instituições, que se constituem numa agressão à democracia, principalmente quando ela parte dos próprios governantes e dos políticos, que deveriam ser os principais responsáveis pela preservação e salvaguarda dessas instituições.

 

Não acreditamos que a popularidade de um presidente da República seja indicador inequívoco de apoio popular, nem que seja uma franquia, para ultrapassar os limites da lei. Dentro de um regime realmente democrático nenhum presidente pode tudo, e não está isento de prestar contas de seus atos a todos, incluso aqueles que não o elegeram.

 

Um Presidente da República deve atuar sempre como um magistrado, e como tal deve comportar-se durante toda a gestão de seu mandato, inclusive durante uma campanha eleitoral que deve estar comprometida com padrões éticos, para que seja uma campanha de alto nível.


Estes são valores mais ou menos básicos, simples e fundamentais, que nos dias de hoje não é mais possível encontrá-los na politica e em quase todas as outras áreas de atuação humana, sendo eles substituídos por campanhas políticas milionárias, ataques pessoais, compra de votos, nomeações de apaniguados e de cabos eleitorais, promoções sem mérito comprovado, etc.

 

Trata-se de um" vale tudo", que domina todo o país, em especial,  aos governantes e aos políticos de plantão,  que não encontra paralelo em outras nações mais civilizadas  socialmente.

 

Resta a todos nós, os poucos cidadãos pensantes deste nosso Brasil, acreditar que ainda é possível uma mudança, mesmo que ela se apresente cada dia mais distante, cientes  de que  nossas esperanças de um Brasil melhor estão se perdendo numa crença utópica de um Brasil para todos os seus habitantes, o que talvez nunca venha a se concretizar.

 

Direitos Autorais Reservados ao Autor

 

ROBERTO ROMANELLI MAIA

ESCRITOR E JORNALISTA

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