BRASILEIROS: ACOMODADOS, POLIDOS E EDUCADOS

Por : Roberto Romanelli Maia

Além de roubados por  tantos governantes e políticos corruptos, incapazes e incompetentes, ainda somos cobrados por alguns que pretendem ser mais “civilizados e educados” que os demais, porque muitos, como forma de protesto, reagem com frases e palavras que não são polidas, nem educadas nem de bom tom, sob o critério e visão hipócrita destes “fariseus e virgens do Olimpo”. Quando se trata de legitimamente protestar verbalmente contra lideranças que jogaram no ralo mais de 30 bilhões de reais em obras superfaturadas, para a construção de arenas (estádios), de infraestrutura, de obras complementares, etc, é vergonhoso e indigno constatar que todas elas foram pagas  e menos de 50% das obras prometidas foram de fato finalizadas, algumas sequer sem  sair do papel.

 

Esquecem tais personagens, que preferem ficar omissos diante dos descalabros que acontecem nessa República, que no Brasil o que se conhece como Democracia vale apenas para alguns privilegiados,  entre eles a elite política e econômica, que reina soberana e majestosa, como revela a mídia, diariamente.

Fingem ignorar que, em alguns países, aceitos pela comunidade internacional e membros da ONU, os corruptos são fuzilados, têm as mãos cortadas, são penalizados com sentenças de prisão perpétuas, etc e que algumas destas medidas, se adotadas neste país, certamente inibiriam muito a corrupção e a violência sem freio, que sem nenhuma contenção sufoca a todos nós, cidadãos considerados pelos últimos governos como de quinta categoria, em nosso próprio país.

De acordo com a Anistia Internacional, 78 nações ainda promovem execuções de criminosos. Outras 22 preveem a pena, mas não a aplicaram nos últimos dez anos. O Brasil, que adotou a pena capital até o século 19, está nesse último grupo. Nosso Código Penal Militar não perdoa os combatentes que cometem crimes, como a fuga em presença do inimigo. Nesses casos, o Presidente da República deve aprovar a execução, que ocorre por fuzilamento.

Segundo  dados também fornecidos pela Anistia, mais de 6.000 pessoas foram executadas em 28 países, em 2013.

Ao manter as execuções em segredo muitos governos consideram a pena de morte como sendo vital, para controlar várias formas de crime, como é o caso da corrupção e da apropriação de verbas públicas. Afirmam que a ameaça da execução evita que certos crimes gerem ainda mais crimes violentos e danosos contra a população e o país.

 

No Japão, as execuções também são realizadas em segredo, sendo os prisioneiros informados apenas horas antes de serem mortos; os membros da família não são informados com antecedência.

 

Na China e no Vietnam, a informação relativa à pena de morte, e suas varias formas de aplicação, tal como o número anual de execuções, é considerada como segredo de Estado. 

 

A China é responsável por cerca de 90% das execuções em todo mundo anualmente e de acordo com a legislação criminal vigente,  68 crimes podem levar à pena de morte. Vinte e quatro deles são crimes violentos, enquanto 44 são não violentos. Dentre os violentos estão assassinato, estupro, latrocínio. Exemplos de crimes não violentos são tráfico de drogas, corrupção e alguns crimes comerciais. Neste país são executados governantes, empresários, industriais e políticos corruptos sem nenhum tipo de complacência. O número exato de pessoas executadas anualmente na China é desconhecido mas todas as estimativas apontam para que  sejam 6 mil por ano, o que significa  uma taxa de execução dez vezes maior do que outros países do mundo.

Em Singapura a situação é idêntica. Este país apoia a pena de morte e não divulga os números relativos à sua aplicação; essas execuções são secretas, e também realizadas na Mongólia e na Coreia do Norte. Em Cuba também foram contabilizadas execuções, algumas secretas, outras não, a depender do tipo de crime  cometido.

Tomando o caso dos EUA,  onde as execuções não são secretas se aplicarmos um coeficiente de probabilidade de execução para cada estado, ele nos fornecerá uma estimativa positiva, indicando quecada execução poupade 20 a 31,5 vidas, em média. Números esses bastante claros e persuasivos.

 

Assim comprovado está  que em muitos países não são apenas protestos o que ouvem corruptos, políticos e industriais, que se apropriam do dinheiro público. Eles não recebem tão somente palavrões, xingamentos e palavras de baixo calão, como forma de repúdio da coletividade.

Eles são processados e expostos à execração pública com suas imagens, fotos, estatuas, etc, sendo queimadas e derrubadas numa total manifestação de repúdio, que os reduz a merecidas condições que certos brasileiros não podem sequer sonhar.

Em um país onde proliferam os “bonzinhos” e onde a hipocrisia está generalizada e aquela política em particular, está presente nos noticiários da mídia, diariamente, estes “educados de conveniência” se permitem criticar aqueles que ainda reagem, enfrentando todo tipo de repressão, executada pela totalidade das forças militares de nosso país, unidas e reunidas para enfrentar qualquer manifestação, mesmo aquelas promovidas por manifestantes pacíficos, a maioria, em números nunca antes vistos, apenas porque está sendo realizada uma Copa do Mundo de Futebol.

Os custos financeiros de tal mobilização em todo o território nacional, segundo cálculos modestos, feitos por especialistas, são superiores a 1 bilhão de reais, incluindo as despesas diretas e indiretas, que são impossíveis de contabilizar, pois não se conhece, por exemplo, quanto em material repressivo vem sendo gasto por essas forças militares.

Apenas para servir como exemplo: nada disso importa para governantes e políticos, que buscam a todo custo esconder atrás de tapumes de madeira obras que não foram realizadas em aeroportos.

A conta dessa autêntica “farra com dinheiro público”,  paga por todos nós com o dinheiro que chega aos cofres do estado através do pagamento de impostos aviltantes, entre os maiores do mundo, será cobrada a partir de agora, com aumentos, já no segundo semestre de 2014 e começo de 2015, na carga  tributária, na gasolina e nos seus derivados, na energia elétrica, nos pedágios, nos transportes públicos em geral, na cesta básica e na alimentação, etc.

Alguém ainda duvida que finalizada a Copa do Mundo seremos nós a pagar tal conta?

Quem viver verá!

 

ROBERTO ROMANELLI MAIA

ESCRITOR, JORNALISTA

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