35 DIAS ATRÁS, ROMANELLI : “BRASIL , NÃO SERÁ CAMPEÃO EM 2014...”

Por : Roberto Romanelli Maia 

Em geral, as pessoas tendem desacreditar em previsões, mesmo que  sejam produto de um dom, de sensibilidade e de análises detalhadas e profundas sobre determinados momentos da história humana e de vidas individuais, no passado e no futuro, em especial. Eventos como a Copa do Mundo de Futebol tendem a monopolizar ações, emoções, reações e atitudes que, geralmente, em sua totalidade, fogem do racional, enveredam e descambam  em atitudes passionais, até mesmo violentas, em razão da paixão que muitos dedicam a esse esporte.

 

Paralelo a tal fenômeno, conhecido como  “torcida e torcedores”, não se pode ignorar que não prima o brasileiro e os “tifosi” de outros países pela isenção, sendo comum ouvir dos brasileiros que nosso país em vários esportes é o melhor do mundo,  o rei do futebol, etc.

Quando confrontados com números, estes apaixonados ou tresloucados citam os 5 títulos que o Brasil conquistou, esquecendo-se de certas realidades e de alguns fatos” fundamentais” que devem ser levados em conta, quando se pretende fazer uma previsão sobre resultados, em quase todos os esportes, em especial no futebol.

Não há como desconhecer que nosso país foi campeão, várias vezes, mas mas que tais conquistas ocorreram graças a jogadores que não se encontram mais, nem existem na atualidade. Partir de um otimismo não calcado na realidade, portanto sem base é ignorar e  fechar os olhos para o que está claro e à vista de todos aqueles que analisam e refletem sobre  a safra de jogadores  revelada nos últimos dez anos.

Cita-se Neymar e Fred, entre poucos outros, como capazes de dar mais um titulo ao Brasil, como se estes fossem comparáveis aos verdadeiros craques do passado que podem ser citados às dúzias e não, contados nos dedos da mão.

Não citemos somente Pelé, um jogador fora de série; lembremo-nos de outros: Garrinha, Rivelino, Tostão, Jairzinho, Carlos Alberto, Gerson, Didi, Vavá, Coutinho, Zagalo, Nilton Santos, Amarildo, Gilmar, Castilho, etc. Se voltarmos no tempo, encontraremos Zizinho, Heleno, Djalma Santos, Leonidas, e outros mais.

Poderíamos preencher páginas e páginas, citando nomes de jogadores que de fato representaram "a nata" do esporte bretão. Recentemente alguns também foram representantes do verdadeiro futebol em sua qualidade maior: Zico, Ronaldo, o Fenômeno, Romário, etc.

Sem haver necessidade de elencar todos os que  de forma significativa e marcante jogaram futebol de alto nível, em épocas anteriores, conquistando a primeira Copa em  1958, na cidade de Malmo na Suécia, servem os exemplos acima apenas para revelar que existe uma gigantesca disparidade de talento e de qualidade entre todos os citados, e os atuais membros da chamada seleção de Scolari. Aliás que seleção, que traz jogadores como Hulk, Henrique, Júlio Cesar, Jo e outros que não merecem figurar numa seleção de fato representante de nosso país. Sem dúvida, mesmo que sejamos tolerantes, essa que irá nos representar é risível,  não alimentando esperança de uma conquista de título mundial, para os que de fato conhecem futebol, e que puderam assistir aos grandes craques do passado.

A comparação chega ao impossível, ainda mais que a grande totalidade dos jogadores que compõem essa atual seleção estão ricos ou milionários, graças a altíssimos salários, transferências e propagandas milionárias. Pior: para todos eles, o que conta não é camisa que vestem, no caso a do Brasil, mas o que seus bolsos receberão, ganhando ou perdendo a Copa do Mundo.

Quando vemos o “corpo mole” de certos jogadores, que na disputa de seus campeonatos nacionais preferiram não jogar, para se preservarem, ou que saíram reclamando de dores inexistentes, nos últimos jogos, segundo declarado por seus técnicos e médicos, o quadro desta seleção descomprometida e irresponsável está formado.

Um quadro que revela, e bem, a quantas anda o nosso futebol e o que esperar desses jogadores na próxima Copa.

Não se compreende também que num país com enormes deficiências nas áreas da saúde, educação, transporte, segurança, haja orçamentos bilionários, para a construção de estádios faraônicos, que em sua maioria não darão retorno e que serão "elefantes brancos", como os que foram construídos em outros países que sediaram a COPA,  conforme previsto pelos especialistas na matéria.

As verbas investidas para o pagamento dos jogadores, da comissão técnica, dos dirigentes que se hospedam nos melhores hotéis, de primeira classe,  e para os integrantes dos setores de apoio em geral, também são dignas dos melhores sultanatos do Médio Oriente, em detrimento do povo brasileiro, que não possui assistência médica, educação, segurança e transporte dignos, nem pelo mesmo razoável.

Cite-se, como exemplo deste festival de absurdos, que o Assessor de Imprensa da CBF, um jovem que caiu na “simpatia” das ultimas gestões e dos Presidentes da entidade, ganha mais do que 99% dos médicos e dos professores brasileiros, em ultimo nível. O que se dirá dos outros que formam parte deste staff de privilegiados!

Prioriza-se uma Copa do Mundo que o Brasil não será vencedor com esta seleção de jogadores medíocres e sem qualidade; são dois mais dois igual a quatro, com poucos prevendo que ela passará das fases iniciais. Mas interessa politicamente aos mandatários de plantão que se  adote a máxima da nobreza francesa, cuja porta- voz, a rainha Maria Antonieta afirmou: "Vamos dar pão e circo para o povo” e ele ficará satisfeito e tranquilo. Ela perdeu a cabeça mas seus discípulos no Brasil (DILMA e cia.) não correm este risco!

Nesse clima de euforia nacionalista, onde não importam os gastos, ninguém pensa nas crianças brasileiras, levadas a acreditar numa seleção “de faz de conta” que em face aos resultados que virão, irão chorar e sentir tristeza por não ter em seu próprio país um Brasil campeão da Copa do Mundo.

Quem sabe um dia serão feitas as contas verdadeiras sobre quanto certos personagens da politica em todos os níveis, industriais, empresários, comerciantes, etc, ganharam "por fora", em comissões, super faturamento, desvios de verbas, etc. O mais fácil e crível que aconteça é que este levantamento nunca venha a ser feito e que toda a corrupção envolvida nesta Copa do Mundo nunca seja revelada.

A impunidade já se fez atuante em dezenas de casos de corrupção,  nos últimos anos; ela se manifesta sempre presente como um ativo adotado pela justiça brasileira em todos os casos. Prova disso é a absolvição por prescrição, por decurso de prazo e por lentidão do judiciário, que leva a serem declarados inocentes centenas de “ilustres cidadãos” que num país sério e civilizado já estariam presos, cumprindo longas penas, sem direito à  redução de suas jornadas nas cadeias e nas prisões de seus países.

Que cobrem amanhã essa afirmação peremptória e clara: o Brasil não será Campeão do mundo de futebol em 2014, e nenhuma força, qualquer reza ou magia irá alterar essa certeza, que se transformará em fato real, durante o evento.

Maktub, já está escrito nas estrelas!

 

 ESCRITO E REPASSADO EM 08/04/2014              

35 DIAS ANTES DA ABERTURA E DA REALIZAÇÃO DA COPA

 

ROBERTO ROMANELLI MAIA

ESCRITOR E JORNALISTA

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