LULA: O SAPO BARBUDO DE NOVE DEDOS...

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Por : Pettersen Filho

“ Sapo Barbudo ”: Assim o falecido ex-governador, do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, se expressava ao se referir ao, então eterno candidato à Presidência da República, hoje titular absoluto do posto, Luis Inácio Lula da Silva, numa alusão histórica à aquele elemento castrista , baixinho e barbudo, de corpo semi-arredondado e olhos esbugalhados, pescoço curto que, caricatamente falando, em muito lembra a forma parabólica e desproporcional do anfíbio em questão, o qual, aos seus olhos, intrumetera-se em seu caminho na tentativa, dele, Brizola, de alcançar o passadiço da Presidência da República.

 

Tendo tido a sua trajetória política interrompida, quando governador gaúcho, em 1961, no intento de golpe que se promoveu ante a renúncia de Jânio Quadros, chegando mesmo a empunhar armas e promover a eventual desanexação do Rio Grande do Sul, no golpe que se arquitetou então, manobra somente levada a cabo em 1964, com o advento da burrona militar, Leonel Brizola, de fato, foi exilado do país por longos, vários, anos, tendo fugido para o estrangeiro, segundo legendário comentário dos seus desafetos, vestido de mulher, para não morrer, até a final anistia dos anos oitenta. Somente na sua volta pode então retornar a carreira política, eleito consagradoramente governador do Rio de Janeiro, embarcando de novo no trem da História.

Contudo, ele, que fora protagonista e agente da História nos anos 50/60, herdeiro político do legado getulista, ao voltar para o país, pelo qual tanto lutara, já na anistia, foi logo sofrendo a perda da sigla do trabalhismo, PTB, no tapetão, encontrando também como entrave a sua eleição, e ao seu projeto nacionalista, a figura esquálida do tal “Sapo Barbudo”.

Sim, para ele, Luis Inácio da Silva, que depois adotou em seu nome a alcunha de “L ula ”, como era chamado nos movimentos sindicais, era um real empecilho, pois roubara-lhe o caráter histórico de líder, e interpunha-se em seu caminho, legitimado pela novíssima contenda dos movimentos sindicais do ABC paulista, onde destacara-se por peitar os poderosos empresários da Fiesp e o resquício coturnico do militarismo, que ainda vicejava no país rumo a abertura política.

Daí a metáfora utilizada por Brizola ao se referir a Lula: “Sapo Barbudo” encontra explicação, talvez, até, retirada do dito popular: “ sapo de fora não ronca ”, em que Brizola lhe atribuía, erradamente, pouco peso político e nenhuma legitimidade histórica.

Dito e feito, naquele primeiro pleito direto que se sucedeu para a eleição presidencial fora o ex-governador batido pelo “Sapo Barbudo”, que tanto rejeitara reconhecer como líder, no primeiro turno, por pouco menos de uma centena de milhares de votos, o qual iria se confrontar, e perder a eleição final para Fernando Collor de Mello. À partir daí Brizola cairia no ostracismo político, nunca mais se reabilitando.

Quanto ao Lula, este, teria novamente outras chances reais, e, após multiplicadas derrotas sofridas perante os candidatos da direita, Collor uma vez e Fernando Henrique Cardoso por duas vezes, sagraria-se ele, finalmente, através do voto alternativo e de protesto, mediante articulado discurso reformista, Presidente da República Federativa do Brasil em 2002.

Pena, contudo, que do discurso eleitoral proferido no picadeiro eletrônico chamado palanque, entenda-se: televisão, até a realidade administrativa do efetivo exercício do cargo presidencial, muita coisa mudara, fazendo com que, com a adoção das mesmas praticas políticas e o mesmo fisiologismo, na realidade, nada mudasse, que diferisse conceitualmente o antigo governo da agora oposição no poder, envolvida em constantes tramas políticas e denuncias de corrupção.

Eu, que já morei por certo período, inesquecível, no sul da Bahia, já estou acostumado com jargões, sempre fluentes em época de eleição, tipo: “ vote no fulano malvadeza, pois ele rouba, mas faz ”, numa compensação de culpa e dolo, que parece querer justificar como pratica normal e correta o que para mim me parece igualmente mediocridade ou corrupção.

Quanto ao “ Sapo Barbudo ”, penso que é preciso que se respeite a Instituição: Presidência da República, apesar de estar atolado em denúncias e mais denúncias.

                             Sinceramente, acredito que ele não rouba e nem deixa roubar. Penso, mesmo, ser ele honesto e bem intencionado, embora que, no coaxar na lagoa, o adjetivo de no mínimo incompetente lhe ficaria bem, tomando-se por base a sua realização administrativa igual a zero.

Contudo, se fosse ao contrário, que seguramente não é o caso, sem que se embuta aqui qualquer caráter de preconceito ou discriminação, injustificável, quanto à sua origem simples e passado operário, de horas e horas desferidas no torno mecânico, em que chegara mesmo a perder um dos polegares da mão, no arremedo de sustentar seus familiares, nos resta seguramente um consolo.

É um dedo a menos para carregar.

 

Antuérpio Pettersen Filho, membro da IWA – International Writers and Artists Association, é advogado militante e assessor jurídico da ABDIC – Associação Brasileira de Defesa do Individuo e da Cidadania, que ora escreve na qualidade de editor do periódico eletrônico “Jornal Grito do Cidadã”, sendo a atual crônica sua mera opinião pessoal, não significando necessariamente a posição da Associação, nem do assessor jurídico da ABDIC.