CÂMARA DOS DEPUTADOS - LAVANDERIA PÚBLICA NACIONAL:

Por: Pettersen Filho


Nem o famoso mago e vidente da antiguidade, Nostradamus, que segundo alguns, previu o fim do mundo e o atentado a tiros contra o Papa João Paulo II, foi tão mordaz, quanto o Presidente do PTB - Partido Trabalhista Brasileiro, Roberto Jefferson, ao prenunciar, quando questionado pela imprensa sobre um possível atentado contra a sua vida, em face das denuncias que formulou ao jornal Folha de S. Paulo, respondendo: "Se eu cair, cai a República". 


Ao que assistimos em cadeia, digo cadeia no bom sentido, referindo-me a rede nacional que se montou, ao vivo, via tevês por assinatura e de canal aberto, e não estou me referindo ao recinto hermético em que deveriam estar recolhidos os atores circenses do teatro macabro que testemunhamos, ao ver, no último dia 14/06/05, o nefasto Deputado Roberto Jefferson ser inquirido na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados, e, de Réu, passar a Promotor, quando não, Juiz do processo em que está incursa como Vitima fatal a Nação brasileira. 
O que nem Rui Barbosa, grande causídico, no alto de sua sapiência e premonição havia previsto, ao dispor que chegaria o tempo em que o homem honesto teria vergonha de ser honesto, foi a verdadeira exumação do cadáver enrijecido, decúbito dorsal, da jovem democracia brasileira, mortalmente atingida por detrás, pela lavatina que se promoveu de verbas públicas, desviadas dos correios e estatais brasileiras, para financiar partidos e políticos corruptos, descaradamente. 
Sem xampu, detergente ou bucha de aço, o que corroboramos ver foi a lavagem da roupa suja nacional, ao vivo e a cores, diante dos olhos estarrecidos da Nação. 
Sem cerimônias, vimos confessar, arrotando hombridade e frieza descomunais, igualmente correspondida pelos doutos membros julgadores da tal comissão, cada qual demonstrando querer salvação, em uma espécie espúria de olimpíadas, em que se comparava quem roubou menos e quem roubou mais. 
Assim, frases inverossímeis, tipo: "Eu roubei, mas o Vossa Excelência roubou também", tomaram lugar comum e serviram de atenuantes, como sentenças de indulto, em que o patrimônio público e moral da Nação eram constritamente predados. 
Perdoem-me então os puros de alma e os puritanos de plantão, crédulos do jogo democrático, mas, sinceramente, eu não vejo Roberto Jefferson, sentado no banco dos réus, apedrejado pelas diversas marias-madalenas, diante de si postadas na sala câmeral, como sendo o único culpado pelo adultério. Por ter "abrido", de improviso vilão, não digo "aberto", posto que ato involuntário, a caixa de pandora do Congresso Nacional, expondo as praticas abomináveis da República verde e amarela tupiniquim. 
A todos eles, cúmplices e co-autores da jogatina que se tornou, na grande maioria dos casos, o exercício de mandato público legislativo no país, sem a reforma política que se impõe mister, cujas únicas atuais regras são o "toma lá e me da cá", eu, cidadão brasileiro, no uso das minhas atribuições legais e em conformidade com a lei, comino o veredicto, estabeleço a sentença final: Culpados. 
...E estipulo a pena: 
Devem ser caçados. Caçados com "ç", e não com dois "ss", que implica tão somente na perda dos seus mandatos legislativos. 
Devem ser, nas próximas eleições que se avizinham, impiedosamente caçados. Como a raposa que entra no galinheiro, mata os pintinhos e devora os ovos da consciência e ética públicas nacionais. 
...ou então, como predestinou Jefferson: "Que caia a República Federativa do Brasil!"

 

Antuérpio Pettersen Filho, membro da IWA – International Writers and Artists Association, é advogado militante e assessor jurídico da ABDIC – Associação Brasileira de Defesa do Individuo e da Cidadania, que ora escreve na qualidade de editor do periódico eletrônico “Jornal Grito do Cidadã”, sendo a atual crônica sua mera opinião pessoal, não significando necessariamente a posição da Associação, nem do assessor jurídico da ABDIC.