JABULANICES DO BRASIL

Por : Thomas Korontai

"Todo problema percorre até seu reconhecimento três etapas: na primeira, ele é ridicularizado; na segunda, combatido; na terceira, ele é considerado óbvio" - Arthur Schopenhauer

Já é de conhecimento de todos ou quase isso, sobre os comentários, estudos e mistérios da bola Jabulani, adotada pela FIFA para a edição em curso da Copa do Mundo. Até físicos foram chamados para tentar desvendar o comportamento estranho, errático, imprevisível e traiçoeiro da pelota futebolística. Nada de conclusivo, exceto pelos vexames que alguns goleiros têm sido vítimas.

Muito já se tentou entender em relação ao Brasil. Brasilianistas, filósofos, sociólogos, e tantos outros, nacionais e estrangeiros estudaram o Brasil de cima para baixo, de “jeito e trejeito” e, de fato, ninguém conseguiu chegar a uma conclusão final. O Brasil, com seu comportamento “jabulânico”, confunde a todos que o tentam desvendar.

A razão desse impasse conclusivo, que termina por trair esperanças e desesperanças em todos os sentidos, áreas de atuação humana, economia, mercados e política, contrariando a maioria das lógicas antecipadas, está, sem medo de errarmos, na enorme diversidade cultural, social, econômica, tecnológica, geográfica, e tentar entender tudo isso de forma horizontal como tem sido feito é ser mais uma vítima de “jabulanice” tupiniquim. Infelizmente, ainda não houve entendimento dentre a chamada “intelligentsia” nacional de que não existe forma de controlar o imprevisível brasileiro com a atual massificação da sociedade brasileira, não há como horizontalizar as diversidades de um País-continente de 8,5 milhões de km2. Não se compreendeu a essência da ação humana que busca sempre a sua felicidade dentro do menor esforço possível, e a ampliação dos controles fiscais e políticos sobre as pessoas, a partir do fortalecimento de entidades federais, graças à informática, vai terminar, em algum momento adiante, na falência  social, e isso está, de certa forma ocorrendo, ainda que lenta e “homeopaticamente”.

Somente a autonomia local, com a concessão de poderes locais – estaduais e municipais – permite maior previsibilidade e menos “jabulanices”, concedendo segurança para investimentos e esperança para as pessoas das respectivas localidades, que estarão livres para buscar a sua própria felicidade, sob instituições seguras e confiáveis. Não percamos mais tempo em estudar como controlar a “jabulani tupiniquim”. O jogo da diversidade nacional pode ser ganho com a soma das diversidades estaduais, locais e individuais, estabelecendo uma trajetória firme, determinada e segura para o País todo, através dos gols que cada estado e cada cidade puderem marcar. O que não pode mais ocorrer, é a Nação inteira tomar goleada por causa das “jabulanices” causadas pelo modelo de Estado centralizado, quase unitário. O campeonato – da vida e do mundo – não perdoa.

* Thomas Korontai é presidente nacional do Partido Federalista (em formação – www.federalista.org.br )

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