A QUESTÃO DO ÍNDIO

Por : Dr.Fahed Daher -

A denominação de índio para os primeiros habitantes da região do Brasil, consta que se deve ao fato de se ter feito relação entre estas terras e as cobiçadas terras das Índias, de onde o mercado fazia florescer a Europa.

Discute-se hoje, em certos setores, da necessidade de transformar a cultura dos nossos indígenas para fazê-los assumir a nossa cultura e civilização ocidental, olhando o silvícola como espécime humano sem qualquer tipo de civilização.

Discute-se mesmo o direito de invasão na vida privada do índio fazendo com que aceitem a nossa cultura e religião, quase como querendo fazer ressuscitar uma inquisição dirigida para eles.

Puro engano. O nosso silvícola não é aculturado. No contraste entre sua forma de viver e a nossa, eles podem dizer, diante da forma de vida que assumem, que nós somos para eles, aculturados. Sua forma de viver e de se organizar em sociedade é a forma que chamaríamos socialista. Todo produto do trabalho e benefício é para todos..

As modificações havidas correm por risco da influência da nossa cultura capitalista e individualista.

Entre eles, na vida nativa, não se comete o pecado da gula, tipo em que quando alguns se apoderam de todos os bens deixam a maioria permanecer em padecimento, tipo de cultura usurpadora e desumana.

A estrutura da formação da família obedece a disciplinas que são assumidas com rigor. O preparo para as lutas é sempre para a defesa conjunta do grupo e as habitações, com recursos naturais - para nós, donos de alguns palácios, são taperas.

Mas queiram ou não é uma forma de sociedade, com seus caciques, pajés e a medicina da pajelança, sem grandes problemas médicos, sabendo que a maior parte das doenças que hoje os afetam são as levadas a eles pela nossa cultura e civilização invasora, especialmente do período das invasões européias.

Querer impor o nosso tipo de cultura e civilização é querer romper com uma forma de vida. Imaginemos como se os árabes do deserto viessem a nós a nos obrigarem a assumir a sua forma de vida, achando-nos incultos e ateus.

A forma de integrá-los em nossa comunidade como força de trabalho e sustentação da nossa soberania é a forma de lhes proporcionar boas escolas, bons treinamentos profissionais, tratando como nossos semelhantes que são, abrindo-lhes as oportunidades para o desenvolvimento produtivo, profissional, social.

Já foram perseguidos, escravizadas, explorados, escorraçados.

Reservas indígenas, sim, com direito de relativa autonomia, respeitando a dimensão de acordo com o número de habitantes, obedecendo as leis de controle da extratividade natural, respeitando o meio ambiente e as leis comerciais que proíbem beneficiar contrabandos de minerais ou de plantas medicinais e ou madeira.

Usa-se o termo “Vida selvagem.” “Selvagem” sim. Para nós que nos julgamos civilizados porque usamos vestimentas de confecções tidas como especiais, comemos cozimentos supertemperados, sofremos da gula, dormimos em frente da televisão, conhecemos cálculos e automatizamos nossas indústrias permitindo os desempregos, assaltamos e somos assaltados diante de uma impunidade que para o índio não existe.

Um dos jornais da cidade de João Pessoa, quando das pretendidas festividades dos 500 anos do descobrimento do Brasil, pois não existia Brasil para ser descoberto, apenas uma terra desconhecida invadida e explorada.

Na época um dos jornais de João Pessoa, capital da Paraíba, exibiu uma charge em que representava um índio de cima de um coqueiro, avistando o mar, e à vista da nau que se aproximava, gritava: - Ladrão à vista.

Hoje, com a integração e a integridade nacional em que Brasil não é para ser explorado, cabe-nos entender a cultura indígena, respeita – la integrando seus membros na soberania nacional, sem reservas indígenas com o rótulo de nações.

Médico – Apucarana.

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