RUI BARBOSA E OS PARTIDOS.

Por : Dr. Fahed Daher

“Se não aponta rumo a situação; se a oposição não traz mensagem: - Corpo de gigante vazio de idéias”. Aí não se disputa a tribuna do gladiador, mas o balcão servil da burocracia. Aí o caminho para o colonialismo político, econômico e cultural por imposição da minoria alienada.” “ Filosofia de Rui Barbosa.”

Hoje não temos luminares clareando, iluminando e dando rumos sociais aos partidos. Temos, na expressão de Rui Barbosa, “ vendilhões do templo.”

Autoridades que se apoderam do governo, sem programa concreto estudado e sedimentado, sem filosofia, apoiados por capitais de interesses privados que buscam, como última razão, a permanência no poder, no uso-fruto do que não é seu.

Partidos políticos? Se for do verbo partir, na sinonímia de quebrar? Temos.

Se for do verbo partir com a idéia de sair, de iniciar uma ida ou uma saída? Não, não há interesse de partir, mas de permanecer com as mesmas regalias.

Um partido é, ou deve ser uma organização social política que arregimente pessoas com os mesmos ideais, os mesmos planos de trabalho, o mesmo ânimo e para a qual se dá toda a dedicação de energia, inteligência e uma vida. Organização destinada a servir, não ser servido. O idealista não troca de partido.

Fundamentado o partido em filosofia consciente e em princípios sólidos de interesses nacionais não será nunca bipartido ou tripartido ou múltiplas partições sob pena de não existir honestamente por estar todo partido, segmentado, quebrado.

Neste princípio básico, para o qual recorremos à sabedoria de Rui Barbosa, cada partido hoje existente está para dele se servir, Mero fantoche da democracia, democracia que já não existe, pois se servir, mantendo “coronéis,” “caciques,” áulicos das cortes, submetidos os partidos aos interesses , inclusive, internacionais.

Não é possível que uma filosofia e um ideal sólido tenha tantas agremiações partidárias onde cada uma possui um dono, o qual escolhe e decide quem será o seu representante, o seu candidato às eleições, sem ser a escolha exatamente da assembléia convocada para determinados fins onde a palavra livre e a razão mais arguta leva às decisões coletivas.

Defeito de legislação mal elaborada ou maliciosamente elaborada para servir aos que permanecem no poder, agarrados como carrapatos no dorso do “animal” chamado pátria (defina-se o que é pátria) ou nação? (defina-se o que é nação) ?

Defeito de cultura mal dirigida por escolaridade mal atendida, ou submetida às influências das grandes fontes de comunicação, hoje denominadas “ mídias”?

Defeito do grande volume de analfabetos, considerando alfabetizados aos que sabem interpretar um texto e não aos que simplesmente sabem decodificar o alfabeto e desenhar o nome!?- Estes supostamente alfabetizados são o principal alvo dos políticos de balcão (Rui). Para estes se distribuem humilhantes esmolas chamadas “bolsas” proporcionadas por governantes despóticos.

A confirmação destas idéias está na expressão que ouvi de determinado político que mantêm cargo executivo há longo tempo: “ Escolhi este candidato para nosso prefeito porque confio nele”- Foi sincero no seu poder pessoal, reconhecendo que o seu partido é ele mesmo, sem a modéstia de dizer: “ A nossa assembléia partidária escolheu este candidato ...”

No Brasil temos inúmeras organizações registradas como partidos políticos, conseguidos os registro por angariar determinado número de assinaturas públicas, aleatoriamente, muitas vezes as mesmas assinaturas para outros registros.

Quantas filosofias e programas partidários diferenciados nossos políticos carreiristas conseguiram criar para justificar tantos partidos? Balcões de negócios?

Nos Estados Unidos, apenas dois partidos fundamentais, 1- democratas, fundado em 1836, elegeu 13 presidentes.-: 2- Republicanos, fundado em 1854, elegeu 18 presidentes. Inglaterra, dois partidos. Como poderá evoluir o Brasil? Há de surgir e evoluir uma filosofia nacional séria? Partido sério? Surgindo, como conquistar a opinião pública, já viciada e incrédula?

Médico – Sociedade Brasileira de Médicos Escritores.

Centro de Letras do Paraná (Curitiba).

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