MST: BEM VINDOS À OPOSIÇÃO?
Por : Raymundo Araujo Filho Ontem, vimos nos jornais O Globo e A Folha de São Paulo matérias sobre o MST. N' A Folha o que lemos foi uma espécie de desconstrução do MST em uma clara aliança nas versões do editorial do jornal, com a ministro do MDA, Guilherme Cassel que pertence à tendência petista autodenominada Trotskista - Rosa Luxemburguista, a DS (Democracia Socialista). Estranha aliança esta do jornalão paulista com a auto intitulada esquerda petista. Os ícones originários do Socialismo-Comunismo estariam a se revirar em seus túmulos, se já não tivessem virado pó. Já a matéria d' O Globo, uma espécie de sucursal carioca d' A Folha, ultrapassou a fronteira editorial da matriz paulista e colocou as declarações diretas de Stédile, nas quais diz que o MST (leia-se, a direção do Movimento) não vai mais "orientar" o voto no PT, na sucessão de Lulla. E mostrando toda a sua Fé na Democracia Burguesa, diz esperar que nas próximas eleições o Brasil eleja um governo "mais a esquerda que o Lula". Assim, conseguiu refocar a política nas eleições, o que é desaconselhável, ao meu ver, pois o importante é o fortalecimento de um Movimento Popular Autônomo e Independente. E isso, certamente, nada tem a ver com governos, exatamente. Sem contar que "orientar o voto" é um eufemismo usado por Stédile, para a verdadeira imposição do voto ao PT, além da perseguição política e isolamento, a aqueles que pregavam outra coisa, mesmo dentro da perspectiva da esquerda não adesista. Já o jornal internético do PC do B ( vermelho.org ), descaradamente cola trechos da entrevista do Stédile para A Folha, inclusive, e aí já imitando o jornal Paulistano, MST não orientará o Voto petista, para a sucessão de Lula. O órgão internético do PC do B pratica um péssimo e tendencioso jornalismo, ao meu ver. O pior da imprensa burguesa, com o conhecido oportunismo dos "companheiros". Mas, o fato principal é que, as lutas internas dentro da direção do MST trouxeram novidades. É verdade que ainda não de forma direta se declaram oposição ao Lula, mas já foca mais no PT, do que no próprio presidente suas rusgas políticas. Embora Stédile desta vez avance mais na responsabilização direta do Lula. Mas, ainda não declarou, de forma INEQUÍVOCA, alto e bom som que PASSOU-SE para a OPOSIÇÃO Política ao governo Lula. E isso é muito importante, para a formação de consciência política, ao meu ver. Caso contrário, enaltece e alimenta, de certa forma, a versão d' A Folha e do ministro do desenvolvimento agrário Guilherme Cassel, que dizem em uníssono que foi o Desenvolvimento econômico que Lula proporcionou, que abalou as Bases do MST, as retirando do Movimento. Mas, não posso deixar de ressaltar que, de certa forma, foi a própria Direção Nacional do MST e a total inserção das Bases do Movimento na política partidária e governamental, com grande devoção ao PT e ao Lula, que possibilitaram esta versão jornalística, com leituras tendenciosas anunciando quase que o fim do Movimento. Ainda mais pelo fato da matéria d' A Folha corroborar com os duvidosos dados numéricos sobre acampados, números defendidos por Cassel e contestados pelo MST. A declaração a seguir, ao meu ver desmonta estes números: "Imaginem, um homem que não sabe contar acampados ser ministro do Desenvolvimento Agrário " (B. Mançano do Lab. Reforma Agrária- UNESP). "E se são só 30 mil acampados, por que diabo não se faz o Assentamento desta gente?", foi outra pergunta vinda do MST. Mas, também não podemos negar que houve um revés no Movimento, assunto que abordaremos no artigo Para Onde Vai o MST?, que publicarei a seguir deste. Não podemos deixar de lembrar aqui, e sem nenhum tipo de revanchismos (afinal estamos sendo derrotados juntos) que, enquanto estávamos a participar dos FSM em POA, declarando OPOSIÇÃO ao Lula e esclarecendo a natureza vil com os trabalhadores, por parte do (des)governo petista, fomos atacados e ameaçados pela militância do MST, que ostentavam em suas camisetas (pagas com dinheiro público) os dizeres: "100% Lula" e "Lula é meu amigo, mecheu com ele, mecheu comigo". E agora? O que vão fazer com as camisetas? E com aqueles a quem perseguiram politicamente, com o seu Lulismo desenfreado? Da mesma forma, quem deu força pra o Incra paralisar a Reforma Agrária, em parte, foi o próprio MST, ou às suas direções. Remonto ao episódio acontecido no MS, sob o governo estadual do Zeca do PT e de Lula no federal, onde tivemos um curso nosso nos Assentamentos SUSPENSOS pela metade, por ordem do MST ao INCRA, pelo fato de não termos cedido parte dos honorários, para a Direção do MST local, em clara chantagem, a qual resistimos**. E com o apoio do superintendente do Incra, que não se conformava com o sucesso do trabalho que desenvolvemos nos assentamentos do Estado, como bolsista do CNPq. Fomos combatidos pela aliança entre o MST-Gov. Estadual e Federal, todos do PT. Hoje digladiam-se entre si, pois confirmaram-se todas as nossas projeções políticas de boicote à Reforma Agrária e enfraquecimento do MST, pelas políticas de reles e parco assistencialismo. E me diziam de direita, os gajos! A tentativa de desqualificação pessoal também foi arma usada irresponsavelmente. Recentemente, o membro da DN do MST Alípio Freire**, em uma lista na qual sequer posso responder, pois não participo, disse que eu vivo a "desqualificar pessoalmente o Stédile", tentando assim reduzir minhas críticas políticas ao dirigente do MST, ao qual não conheço pessoalmente e, por tanto, não poderia criticá-lo pessoalmente. Apenas critico o tipo de verdura que ele vende na feira. Muito convencional pro meu gosto. Assim, este adesismo longo e inconsequente do MST aos governos petistas e de aliados do gov. federal, inclusive com emprego de quadros em cargos de confiança, além do recebimento de verbas não licitadas, em troca de silêncio, foram nefastas ao Movimento e, ao meu ver, têm de ser autocriticadas, para a formação de consciência. Senão, Stédile corre o risco de ser apontado apenas como um oportunista. Ao meu ver, ele é apenas insuficientemente politizado e equivocado em suas táticas, além de muito conservador e binário em suas elocubrações. Além do MST ser muito autoritário e arrogante, com quem não se intimida e nem se subserve a ele, e têm projetos também no campo da esquerda. Quem sabe não teremos uma rasgação coletiva de filiação partidária do PT, na Reunião do MST em POA (RS) entre os dias 20 e 23 de janeiro próximo? Aliás bem longe do aparelhado pelo petismo FSM, que se inicia dia 24/jan, em Belém (extremo Norte do país). Em clara mensagem, ao meu ver, de distanciamento do MST desta articulação, a esta altura quase toda governamental, mesmo a contragosto de alguns de seus organizadores. Esta rasgação coletiva de filiação ao PT, se ocorrer, nos lembrará, os Rabinos Judeus, anti sionistas, que rasgaram seus passaportes de israel, em Londres, condenando o genocídio de Gaza. Seria uma bela demonstração, principalmente se acompanhado de uma INEQUÍVOCA declaração de OPOSIÇÃO ao (des)governo Lula. Os Rabinos declaram-se contra a existência do estado de israel. Assim, considero que Stédile e o MST executam uma inflexão necessária à luta política do Brasil. Mas, repito, ela tem de ser inequívoca. Há que se organizar a População para exercer legítima oposição a este ex operário entreguista e seu esquema político, um perfeito Sassá Mutema da Política Brasileira, senão pior. *Raymundo Araujo Filho é médico veterinário homeopata que não se curva nem para senhores, nem para quem quer que seja. ** É de minha total responsabilidade estas afirmações que faço. Espero que tenham coragem de contestá-la, inclusive na Justiça, se acharem conveniente. OBS : Matéria Enviada em 19/01/2009 - raymundoaraujo2@gmail.com |