“O PAU DA CAMA DO DESEMBARGADOR ” & A MOROSIDADE DA JUSTIÇA NO BRASIL.
Por : Pettersen Filho
O que, afinal, teria a ver o pau da cama onde dorme o Desembargador com a tão famigerada Morosidade , lentidão, procrastinação, da Justiça, no Brasil ? Nada, não é mesmo?
Mas, cenas, e coisas, jamais imaginadas antes, acabam determinando outras, totalmente distintas. Sem que vinculo algum, inicialmente, as concatene:
Estava eu a passear pelos canais da tevê a cabo, em busca de notícias sobre uma ação proposta na Justiça, quando, no Canal da TV Assembléia , deparei com a Figura Impar do Desembargador Capixaba, Dr. Antônio José Miguel Feu Rosa, também, Imortal da Academia Espirito-santense de Letras, Homem com “ H ” maiúsculo, Pragmático e Ilibado , de quem, confesso, mais do que a seu próprio filho, sou Fã Incondicional , onde, o Desembargador estava sendo admoestado por um insistente Interlocutor, numa dessas famosas Audiências Públicas do Legislativo, que só prestam, aparentemente, para discutir o que, nos bastidores, já foi decidido, quem queria, o Interlocutor , a qualquer preço e risco, que esclarecesse, o Desembargador/Palestrante, o por que da Morosidade da Justiça ?
Depois de utilizar-se de todas as evasivas possíveis, e impossíveis, diante da insistência recalcitrante do Interlocutor , quem queria, a todo custo, ver esclarecido, o que apontava, como “o suposto assassinato de um parente ” , ocorrido há muitos anos, finalmente, o Desembargador perdeu, humoristicamente, a Paciência, e, sempre elogiando os novos juizes, referidos por Ele, como comezinhos , ágeis, céleres, o que fazia acompanhado de um gesto, em forma discreta de cifrão, devido a uma disfunção motora ou nervosa das mãos, no alto dos seus avançados anos sexagenários, na qualidade de Homem vivido e experiente, Desembargador Aposentado, enfim, sacramentou, mais ou menos, assim: “ Você quer saber, meu jovem, o por que da morosidade da Justiça ? Eu vou lhe contar”:
Antes de eu entrar para o Tribunal, eu era Advogado Militante. Certo dia apareceu no meu Escritório uma Senhora, sei lá, que havia pedido uma indenização, ou pensão, pela morte do marido. Eu ingressei na Justiça e obtive ganho de causa, mas, a parte contrária recorreu para o Tribunal. Então, eu me tornei Deputado Federal, lá em Brasília, e transferi o Processo para outra Banca, para um Advogado amigo, que se encarregaria do Recurso.
Os anos se passaram, e, toda vez que eu chegava no Aeroporto, vindo de Brasília, a Mulher estava lá, me esperando, pedindo providências. Eu me cansei da História e pedi a Ela que verificasse com qual Desembargador estava o Processo, para que, de outra vez, eu fosse tentar despachar o assunto. E assim eu fiz. Com a Mulher, ao meu lado, fui ao Tribunal e procurei o Desembargador do Caso. Contudo, o Processo não estava lá, no Tribunal. O Desembargador, informou-me, que, a fim de agilizar alguns processos mais antigos, levava os processos para sua Casa, e, decidia a noite ou nos finais de semana.
Pegamos o carro, noutro dia, e fomos à casa do Desembargador. Lá chegando, ele foi nos receber na entrada da sala, aguilhoada de processos, por todos os lados. O Desembargador falou-me: “Feu Rosa, eu estou no quarto, verificando alguns processos. Porque você não verifica aqui na sala se o tal processo não está ai? ” , apontando uma das pilhas.
Verificamos. E nada do Processo. Passada meia hora, passamos a verificar na Cozinha ,onde havia outros tantos processos. E nada. Passamos ao quarto da empregada. E nada. Dirigimo-nos ao quarto do Desembargador, onde havia outros tantos processos. Verificamos no armário, na penteadeira, no criado mudo, encima do guarda-roupas, e nada. Por fim, dirigi-me ao Desembargador, quase desistindo, relatando não haver encontrado o Processo, quando reparei que o pau da cama do Desembargador estava quebrado, e, suportando o seu peso, como encalço, reconheci logo, pela Capa, estava o tal Processo. “Olha ele ali, Desembargador. ” , o que falei, apontando.
Foi quando o Desembargador respondeu: “Ah, é por isso, Feu Rosa, que o Processo dela ainda não foi decidido. È por causa do pau da minha cama, que quebrou e, eu não tinha mais nada para escorar ”.
ANTUÉRPIO PETTERSEN FILHO é Advogado Militante, e Assessor Jurídico da ABDIC – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DEFESA DO INDIVÍDUO E DA CIDADANIA, além de EDITOR do Periódico Eletrônico JORNAL GRITO CIDADÃO
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