PAULINHO PEDRA AZUL NO “ JARDIM DAS FANTASIAS ”

Por: Pettersen Filho

Nascido para a Musica Popular Brasileira numa provável transa astral do Sol com a Lua, Paulinho Pedra Azul , filho primogênito de dois grandes Corpos Celestes teve a sua Certidão de Nascimento registrada no Cartório por Ele batizado de “ Jardim das Fantasias ”, nome do seu Primeiro Disco, ainda tipo bolachão, Long Play , lançado pela RCA-Victor.

E lá se foi Paulinho , há pouco mais de vinte e cinco anos atrás, cantarolando por entre as alamedas, como quem festeja a vida: “ Bem-ti-vi, Bem-ti-vi, andar por um jardim em flor, chamando os bichos de amor, tua boca pingava mel...” , uma das suas mais belas e despretensiosas canções.

De vez em quando, na sua Longa Jornada, como bom filho do Sol e da Lua, profundamente ligado com os entes da Natureza, Elfos, Gnomos e Duendes, Paulinho seguia entoando: “ No Céu, entre as Estrelas, vou cantando. E a Terra vai formando um Coração. Palavras são tão poucas pra dizer, que estou Vagando assim só por Amor. Vivendo, Ferido. O Peito ardendo em chamas. Estou Morrendo em minhas Magoas. Transbordo a Noite e vejo a Lua ...”, e foi seguindo o Paulinho , por rápidos e românticos vinte e cinco anos, estrada a fora.

Sem se esquecer da sua origem simples, lá da simples Pedra Azul , simplesmente, Paulinho não se esqueceu dos amigos, do Clube da Esquina, e, já em Produção Independente , passada a fase em que as gravadoras determinavam quem fazia sucesso e o que cantar, Paulinho foi seguindo com seus shows, cujo aparato um singelo banquinho e um violão acustico, de vez em quando parando para olhar para trás, e para a infância vivida em Pedra Azul , lá no Vale Mineiro do Jequitinhonha, cantando: “Quando eu era Menino, eu via a lua saindo, pensava assim comigo, um dia eu vou la´. De carro ou de caminhão, de Jeep ou de avião. Cresceu meu Coração, me trouxe outra emoção e o sonho de Menino, voou, voou... ”

Assim, banquinho e violão nas costas, como quem trata a vida como um interminável, e encanador, passeio no Bosque, Paulinho , sempre cantando canções melódicas, falando de um amor, invariavelmente infantil, do Menino pela Natureza, e seus bichinhos, seduziu, em todo o seu Gênio e Gênero, Homens Adultos , de vez em quando, sem perder de vista a crassa realidade, entre os assovios que entoava pela Estrada, par e passo com a Vida Real, compôs “ Cortinas de Ferro ”, sua, talvez, composição mais comprometida com a Política e com a Existência Humana no Planeta, sendo, na pratica, uma ducha de água fria na, então vigente, Cortina de Ferro, dos tempos da Guerra Fria, cantando assim: “ Os mortos já falam mais. Os vivos não vivem mais Jamais. Mas quando abrimos Cortinas de Ferro... ”

Enfim, vinte e cinco anos, completos e bem vividos de Paulinho Pedra Azul , a esperar por outros mais: 50, 60, 70, 80...

Alias, Paulinho Pedra Azul , não!
Talvez, mais apropriado, Paulinho Pedra Noventa : Vezes nove, vezes nove, vezes nove, vezes nove, vezes...
Paulinho Infinito...

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