O Reggae do Sistema

Por : Raymundo Araujo Filho
O latrocínio que teve como vítima o coordenador da área social da ONG Afroreggae Evandro Silva, mostrou que há uma "compensação" pelo Sistema na outra ponta da investida contra os Movimentos Sociais que incluem o discurso e o combate político ao "status quo", incluindo na sua compreensão das coisas, a questão da Exploração de Classes pelo Capital, como faz o MST (embora tendo sido submetido pela sua Direção Nacional a uma adesão suicida ao governo Lulla, como venho apontando há muito).
Refiro-me ao amparo e cooptação das lideranças de ONGS que se firmaram no cenário social, é bem verdade, pela oportunidade e competência de seu surgimento e ativistas, referindo-me mais precisamente agora ao Afroreggae, pois as declarações de seu Coordenador Geral o José Junior, muito me preocuparam.
Com todo o respeito pela dor que todos os amigos diletos, jovens que o adoravam e parceiros de projetos do Evandro, assaltado e morto por bandidos, ao que tudo indica com o beneplácito e "parceria" da PM, inclusive de Oficial, creio que não devamos deixar passar acriticamente as declarações do coordenador geral da entidade.
Logo ainda no calor da notícia da morte do amigo e diretor da entidade, José Junior após referir-se aos bandidos, apressou-se a dizer textualmente "Quero dizer que continuamos a dar todo o nosso apoio à política de segurança do governador Sérgio Cabral e do Gov. Federal, e que estas reações da bandidagem são previsíveis após uma investida da polícia co mo está sendo feita contra o tráfico. FOI ASSIM NA COLÔMBIA E EM OUTROS PAÍSES QUE COMBATERAM O TRÁFICO (extraído d'O Globo do dia seguinte do episódio).
Assim, a meu ver, de forma extemporânea e deslocada no tempo e no espaço o mais importante diretor da ONG fez uma profissão de fé na excelência da Política de Segurança do Rio de janeiro, fartamente contestada por gente séria e competente como são as sociólogas Vera Malagutti, Alba Zaluar, o dep. estadual PSOL-RJ Marcelo Freixo, e por muitos outros que não pecam pela falta de juízo e de compreensão das coisas, além de ter atribuído a um assalto tipicamente de "oportunidade", e não por alguma "resposta" da bandidagem "sufocada pela polícia".
E expôs uma fala, esta grifada em maiúsculas na transcrição acima, onde se mostra, se não um especialista, no mínimo um estudioso do Plano Colômbia citado por ele em sua fala e, pelo visto, compartindo uma total adesão a este Plano que, a meu ver e de muitos, não passa de uma artimanha para a militarização da AL, vendas de armas para a bandidagem e para os Governos (em geral pela mesma pelos mesmos vendedores, haja visto a recém prisão - e liberação - de um dos maiores vendedores de armas do Brasil, que tem acesso ao gabinete do ministro Jobin, lá no Morro da Corôa, uma das mais bem armadas do Rio).
Mas, em seguida, os fatos mostraram que a PM carioca estava envolvida, inclusive sendo beneficiária materialmente daquele latrocínio que vitimou Evandro. Um capitão e um cabo, supervisores de área, foram flagrados em suas conivências com os criminosos, tomando deles o produto do roubo, e sequer deram atendimento ao vitimado. Além de cerca de 4 ou 6 outros policiais que passaram várias vezes no local, e sequer se ativeram em ver se o rapaz estava ainda vivo, o que se confirmou pelo mesmo 50 minutos após o evento, quando seu coração ainda batia.
Ontem, o mesmo coordenador da ONG, em coletiva com o comandante da PM RJ, proferiu pesadas críticas aos "dois marginais criminosos fardados", mas apressando-se em dizer que "a Corporação da PM é digna, eficiente e que não pode ser RESPONSABILIZADA pela má conduta de uns poucos que desonram a farda". Ora! Qual o alfarrábio do Direito que este rapaz consultou para emitir esta equivocada opinião ? É justamente a corporação da PM que é respónsável pela acçao, mesmo individual de qualquer dos seus membros, embora saibamos que estas “ações” sãomuito comuns e epidêmicas na PM, assim como nas polícias brasileiras.
Por outro lado, é contra o Estado e a Corporação da PM que, por exemplo, a família do Evandro tem direito de estabelecer processo, exigindo indenização, nem que seja para doar para a entidade que o Evandro prestava contribuição social. E não vai ser o José Junior, no afã de sustentar e não afrontar suas parcerias, e por que não, mantenedores dos projetos do Afroreggae, que vai doutrinar sobre isso. Sempre lembrando dos refrões que ouvimos das tropas da PM em exercício físicos nas ruas do Rio, ameaçando “favelados” e falando mal de, por exemplo, mulheres gordas, como tem sido divulgado na imprensa, várias vezes.
Hoje, sábado, no jornal da hora do almoço da TV Globo, aparece novamente o coordenador José Junior, com outros integrantes da ONG, para entrevista e singela homenagem ao amigo.
Na entrevita estava presente um jovem Policial Civil, articulador de projetos entre a Polícia e a ONG, em escolas etc. e tal "no sentido de aproximar a polícia da população" ("cuidar da imagem") através de projetos que eles chamam de "inclusão social e afastamento do crime", e de quebra ainda foram relatados diversas outras parcerias entre a ONG e a PM, Secretaria de segurança, me fazendo perceber que é íntima a relação desta ONG com o Sistema de Segurança, onde certamente obtém recursos financeiros que movimentam a ONG.
Tudo certinho, mas sem nenhum discurso esclarecedor das coisas,a meu ver, com uma visão caolha e parcial, exposta por um dirigente, o José Junior que, a meu ver, deveria ser mais comedido na sua adesão idológica a uma Política de Segurança que recebe críticas, por ser ineficaz e aleatória, além de fazer muitas vítimas inocentes, e sem tocar no fundo da questão que é a constituição de Classe da PM, além da militarização da polícia (uma excrescência, segundo muitos autores), além da ausência de mecanismso efetivos de fiscalização de suas ações pela sociedade, e não por corregedoria ou ação própria, eivada de corporativismos e pressões internas que todos conhecemos, configurando-se então uma Polícia e Política de Segurança que, no máximo, entende que ações assistencialistas são "Programas de Inclusão Social", e que só servem aquelas geridas por "parceirtos" acríticos da políca em curso, como parece ser a direção do Afroreggae.
Para quem não faz discurso e tem uma compreensão POLÍTICA sobre a questão da segurança pública, os cofres e parcerias para projetos estão abertos, além de espaço na mídia corporativa. E aqui não vai exatamente, nenhum juízo de valor específico ou tentaiva de avacalhação de boas iniciativas que, certamente, deve haver por lá. Mas, swem uma compreensão política, substituindo a "salvacionista", nada irá muito longe, e suas modificações serão cosméticas.
Agregue-se também, a fala sobre a eficiência do Plano Colômbia, ora aplicado incipientemente ainda, aqui no Brasil, tendo om Rio, com,o grande laboratório, "motivado" pelas agendas esportivas dos próximos anos, o que me faz crer que estes rapazes estão tendo instruções sobre isso, constituindo-se assim uma base social "insuspeita" para a defesa da barbárie que vem por aí.
A visita e defesa da ocupação militar brasileira (em nome da ONU) no Haiti do ativistta social par e par com o Sistema, o MV Bill, me reforça a suspeita que há esta operação de cooptação de lideranças em curso, para fazerem o contraponto aos Movimentos Sociais "inadequados e contestatórios", como o MST. O lançamento e possível candidatura ao senado deste MV Bill, parece-me apontar para isso.
Portanto, o Sistema cuida já de mostrar a "contrapartida" na condenação do MST, apresentando carne fresca e dócil, para deleite e sossego da burguesia e dos conservadores da sociedade brasileira.
*Raymundo Araujo Filho é médico veterinário homeopata e reconhece a dor do momento, mas quer evitar outras dores em outros momentos.
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