SE CORRER O BICHO PEGA, SE FICAR...

Por : Thomas Korontai

As declarações da Secretária de Estado dos EUA Hillary Clinton provocaram em alguns analistas a lembrança da antiga Doutrina Monroe, quando disse que o sistema tributário brasileiro é que faz o País crescer, mesmo sendo um dos mais carregados do planeta. Segundo estes, os EUA estariam interessados em manter o atraso do Brasil e da América Latina para evitar concorrência. Queremos, contudo, propor outra visão. Embora alguns governantes democratas tenham marcado suas passagens positivamente naquele país, é tradição dos Democratas americanos serem mais estatizantes, ou seja, consideram a necessidade de que é o Estado que deve fazer mais do que a sociedade ou a iniciativa privada. Boas justificativas estão sempre na área social. O problema é a conta que fica com impostos mais altos. Calcula-se que a afirmação da Secretária deve ter sido feita diante de alguma provocação para manter a coerência ideológica. Cumpre dizer, a bem da verdade, que a tendência estatizante afetou também muitos republicanos, além de muitos governantes de inúmeros países.

Os EUA, que detém ainda 1/3 da economia do planeta, tem, em nossa opinião, que países como o Brasil se desenvolvam mesmo tendo que competir, pois a transnacionalidade empresarial americana depende disso. Os maiores parceiros comerciais dos EUA hoje são os chineses e são justamente eles que estão para assumir o 2º PIB mundial.

Os EUA podem ter discordância em alguns pontos comparativamente com o Brasil, mas a maioria é concordante. Além do mais, nossas exportações não são páreo para o tamanho  da economia deles, as sobretaxas do suco de laranja, aço, açúcar e talvez mais alguma coisa são pontuais. A lista de produtos liberados para comércio – SGP Sistema Geral de Preferências -  é enorme. Afinal, negócios são apenas negócios e nessa linha, há que se lembrar que a fatia da pauta de exportações norte-americanas que representa algo em torno de 30% talvez 40% já é composta de serviços, incluindo licenciamentos de tecnologias. Não nos parece que haja interesse dos detentores de tanta tecnologia que paises como o Brasil não se desenvolvam, pois mercados cada vez mais promissores e maduros são potenciais compradores. Mercados pobres não têm condições de adquirir tecnologias – vide África e boa parte dos países latino-americanos . Mesmo que a fabricação fique por conta da China, como já ocorre em larga escala.

O Brasil só tem condições de se desenvolver destravando a sua economia. Fala-se em frear o crescimento que, segundo se noticia, acelerou “perigosamente”, pois a preocupação com a inflação voltou. Contudo, o problema maior do crescimento não é esse, e sim, os apagões da infra-estrutura e mão de obra. A alta carga tributária, franqueada pela estonteante burocracia, insegurança jurídica e politicagens palacianas e da Ilha da Fantasia Macabra situada estrategicamente na distância do Planalto Central, foram as responsáveis por isso tudo. Ficamos em uma situação de “se correr o bicho pega, se ficar...”.

Não há outra solução viável se não a descentralização dos poderes para o destravamento institucional e geral do País. Mesmo assim, o sofrimento será inevitável, pois não se corrige o atraso de 50 anos em curto prazo. Mas se não começarmos já...

* Thomas Korontai é presidente nacional do Partido Federalista (em formação – www.federalista.org.br

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