“ TAXA DE MARINHA ” : RECEITA FEDERAL COBRA OCUPAÇÃO EM BELO HORIZONTE /MG

Por : Pettersen Filho

Mesmo estando localizada há, pelo menos, quinhentos quilômetros da Praia mais próxima, em Copacabana /RJ, ou Camburi /ES, de onde se pode contemplar, da sacada de qualquer apartamento, a quietude do Mar , ou banhar-se nas águas tórridas do Oceano Atlântico , a Viúva, aos oitenta anos de idade, Hebe de Lourdes Vieira Pettersen , na verdade, residente, em um apartamento alugado, há cerca de três anos, no Bairro Popular de Jardim da Penha/Vitória , distante, não mais do que, dez quadras, do Mar , viu-se, essa semana, ao tentar retirar uma Certidão de “ Nada Consta” perante a Receita Federal , afogar-se na burocracia , e trapalhadas , da própria Receita Federal .

É que a Instituição , em razão de ser a “ Contribuinte ”, em questão, “ Ocupante ” de um único Terreno , dito, “ de Marinha ”, às Margens do Canal de Camburi, em Vitória / ES , onde está localizado, achou por bem cobrar da “ Velha Senhora ”, suposta, Divida Ativa, que contra a mesma lançara, fazendo publicar, via Diário Oficial , uma daquelas publicações que ninguém, em sã consciência, lê, habitualmente, se não envolto com a Justiça , fazendo-o via Edital , na Capital Mineira , Belo Horizonte, onde, inclusive, não mora e onde não se dá qualquer vestígio da dita Ocupação, “ Citação ” de Execução Fiscal, em 28/04, atribuindo-lhe divida correspondente aos longínquos anos oitenta, já que o Oficial de Justiça lançado ao seu encalço, ao diligenciar, justamente, não obrou alcança-la, naquela Cidade , certificando o fato, dando, assim, curso a uma abominável, nessas circunstâncias, Execução Fiscal ....

Divida , até certo ponto, exigível, a “ Taxa de Marinha ”,ou “ Laudêmio ”, quando realmente devidos, se justificam, em tese, por um “ Velho Decreto ”, ainda remanescente das “ coisas ” do Brasil Imperial , do Século XIX, em que toda margem de praia, até o limite de 33 metros ( Esse era o alcance, em média, dos velhos canhões e bacamartes embarcados nos navios ) da Linha Dàgua , era, artificialmente, reservada à Marinha Brasileira , como área determinada à defesa das nossas Costas, em caso de ataque, ficando estabelecido que o seu “ Detentor ”, ou “ Ocupante ”, como no caso, se obrigaria a pagar pelo seu “ Uso ” ou “ Posse ”.

Legislação , obviamente, ultrapassada e injusta, no que concerne aos dias de hoje, em que o nosso eventual “Inimigo” encontra-se, não na Esplanada dos Ministérios, mas, há, pelo menos, 5.000 quilômetros , Além-mar, nas Costas Africanas ou Européias, já que, também, tornaram-se, essas faixas, imensas áreas urbanas, no Rio de Janeiro ou Salvador , em cidades tão genéricas, que vão de Belém /PA à Porto Alegre /RS, as ditas “ Praias ”, no mais das vezes, foram aterradas e sobrepujadas, dando lugar a densos Condomínios e Shopping Centers , alheios à União , levando a tal “Linha Imaginária” dos 33 metros para a cucuia , por assim, dizer, a verdade é que, hoje, os modernos canhões e mísseis de cruzeiro, utilizados, requereriam, segundo o Principio Cívico da Lei, que o recuo estratégico chegasse hà, pelo menos, Brasília /DF, no suposto imperativo da “ Defesa ” do nosso Território(?), quando, mais, a tal “ Taxa ”, concorre, na pratica, diretamente, como Tributo, com o IPTU , das Prefeituras Municipais, transformando-se, assim, numa espécie inautorizada de, outro, Imposto , totalmente descabido e desnecessário, a sobejar os Cofres da União, em detrimento do “ Contribuinte ”

No caso da Dona Hebe , anciã e oitentenária, torna-se, ainda, maior o acinte, face a estar respondendo ao processo, constrangedoramente, uma vez Citada por Edital, perante as 24ª e 26ª Vara da Justiça Federal da Seção de Minas Gerais, respectivamente, que não são o seu “ Domicílio Fiscal ”, nem onde os “ Fatos Geradores ”(posse), teriam se dado, Vitória /ES, o que, em si, dificulta o seu deslocamento e defesa, segundo os olhos mais criteriosos da Lei , então, tornam o Processo Nulo de Direito, quando mais, em uma completa sucessão de trapalhadas e desacertos , após, o próprio SPU – Serviço do Patrimônio da União , proferir vários lançamentos contra a “ Ocupante ”, em outros endereços e áreas, diversas da real, constatadas pelo próprio SPU , que levaram,mesmo, ao cancelamento do RIP – Registro Imobiliário de Patrimônio , segundo os quais, foram lançadas, as tais Taxas de Ocupação, contra a Anciã, após propicio processo administrativo tramitado naquela Unidade , teve, ademais, Isenção de Taxas , devido a sua idade avançada, e pelo fato de perceber apenas um salário mínimo,como renda, de aposentada por idade, o que agrava, ou, pelo menos, inviabiliza a inusitada “ Execução ”.

A “ Coisa ” assume contornos, tais, de calamidade, no âmbito geral e na indecência que é a tal “ Cobrança ”, Brasil a fora, da famigerada Taxa de Marinha , que, em 2006, tramitou, e foi sancionada, a Emenda Constitucional, de nº 46, que isentou, por completo, e não, caso-a-caso, as Ilhas Oceânicas , como é Vitória /ES, do seu pagamento, mas, a Receita Federal, “ Tiradentiana ”, recalcitrante, recusa-se, peremptoriamente, a acatar.

Tais fatos, como o acima narrado, aliás, fazem-me lembrar do ocorrido, certa feita, no próprio Ministério da Fazenda local, em Vitória /ES, quando, ao buscar informações sobre a devolução do meu Imposto de Renda Retido na Fonte, liguei para um “ Conhecido ”, na Receita Federal, o ATT Mario Bassul, Velho Colega de Faculdade, quem, do outro lado da linha, desconhecendo a autoria da chamada, ao atender, se disponibilizou, proclamando: “ Receita, pois não! ”

No que não me contive:

”Receita ??? Que bom. Eu estava, mesmo, desejando fazer um bolo, mas me esqueci qual a quantidade de trigo, ovos e manteiga devo usar. O Sr. pode passar-me a receita...?”

Ato continuo, no que, do outro lado, completamente possesso, com a brincadeira de mal gosto, retrucou o ATT:

“Palhaço ! Aqui é da Receita Federal . Nós estamos aqui para atender o “Contribuinte”, e não para brincadeiras !” , sentenciou ele, batendo o telefone, em seguida.

Nunca mais falou comigo...

Então, afinal, eu vos pergunto:

“Quem sois vós, afinal, Cidadão Brasileiro, “Palhaço” ou “Contribuinte ???””

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